quarta-feira, 1 de março de 2017

Quaresma

Quaresma é tempo de fugir da prisão!

Poucas não são as prisões de hoje: são fortes as amarras nas quais estão presos homens e mulheres. E longos os caminhos trilhados em busca da escravidão. O quê se oferece às mãos pedintes? Quais os grilhões que são abertos? Pelo contrário, parece que o caminho do exílio é cotidiano! É preciso silêncio e reflexão e a quaresma é tempo favorável para isso. Quarenta dias de deserto pessoal e comunitário, revendo os passos e preparando outros na direção de uma vida nova.

Quaresma é tempo de esperar vida nova!

Os cativos que partem não voltam jamais! Eles partiram sem sonhos porque nunca dormiram! Partiram sem dança porque nunca cantaram! Partiram sem reza porque nunca creram! Partiram sem graça porque nunca sorriram! Abraçados às máquinas morrerão em silêncio porque nunca silenciaram nem tentaram se ouvir. Misturados ao lucro morrerão no prejuízo porque nunca quiseram repartir... com ninguém! Quaresma é tempo de rever o que se fez e preparar-se para fazer o melhor. Tempo de libertar-se do lucro e de tudo o que faz da vida um constante vender-se e um oprimente comprar-se.

Quaresma é tempo de ouvir!

São muitos os cativos de hoje! São muitos os cativeiros de agora! Não só de agora, mas de outrora também! Cativeiro de gente que nunca foi gente! De homens que nunca sentiram a terra! Condenados a esquecê-la porque nunca a tiveram! Cativos do bolso e do luxo; do holofote, do mercado e do gasto! Cativos da vida que não foi vivida e que, por isso, convida ao abraço da morte. Quaresma é tempo de libertar-se. Tempo de buscar o Senhor... enquanto Ele se deixa encontrar!    


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