quinta-feira, 30 de março de 2017

5o Domingo da Quaresma

Ez 37,12-14; S 129; Rm 8,8-11; Jo 11,1-45

As portas se abrem! O Senhor nos chama! É preciso levantar! Neste último domingo da quaresma recebemos um convite sincero para que nossas atitudes espelhem a Páscoa do Senhor. Assim como seu túmulo não o reteve, também nós não poderemos deixar que os túmulos da vida nos segurem. O profeta Ezequiel dá uma notícia alegre ao povo escravo no Exílio: suas sepulturas serão abertas e serão reconduzidos. De outra forma - mas na mesma direção - cantava o salmista: “Quando o Senhor reconduziu nossos cativos parecíamos sonhar!” (Sl 126) Que canção mais alegre! Parece um sonho, quando o Senhor nos liberta! Nascemos de novo para a vida! É isso que o profeta anuncia: a libertação do povo é sua Ressurreição. Esta leitura nos aponta para a Páscoa e nos faz mais firmes em nossas decisões, propostas e esperanças. No Espírito do Senhor revivemos, renascemos e nos tornamos novas pessoas. As portas da morte não nos detêm porque o Senhor desata nossas mãos cansadas e pesadas pela escravidão e nos deixa ir.


Esse é o quadro desenhado por São João no Evangelho: a Ressurreição de Lázaro. Está claro que só podemos ler este texto à luz da Ressurreição de Jesus. Em Lázaro a tristeza converte-se em alegria, o pranto em sorrisos, o limitado em eterno, a agonia em festa e o mau cheiro em perfume. No mau cheiro de Lázaro residem as desesperanças dos discípulos, das irmãs dele (Marta e Maria) e dos judeus. Mas para Jesus, ele dorme e será acordado! Não vamos nos ater ao choro de Maria e nem ao desconcerto de Marta. No mau cheiro de Lázaro residem nossas enfermidades, nossas angústias e nossas pedras; mas na Palavra do Senhor estão nossas curas, nossas canções e nossas flores; o perfume e a esperança. Lázaro fica quatro dias no seio da terra e Jesus passará três dias no seio da mesma. No entanto, o Pai sempre O ouve e, com Jesus, devolve a vida a Lázaro. Assim também O ressuscitará dentre os mortos. Essa é a nossa fé! Fé que não nos deixa esmorecer e revigora o que temos de melhor: a presença do Senhor ressuscitado que caminha em nosso meio. A liturgia de hoje é uma liturgia pascal, liturgia de vida. São João carrega o pincel nos contrastes, como acima mencionamos, mas conclui com a leveza e o mistério que é típico de sua pena: “Desatai-o e deixai-o ir!” Reflitamos, às portas da Santa Semana, o que isso significa: “Desatai-o e deixai-o ir!”  

Nenhum comentário: