quarta-feira, 15 de março de 2017

3o Domingo da Quaresma

Ex 17,3-7; Sl 94; Rm 5,1-2.5-8; Jo 4,5-42

Dá-nos de beber! Estamos, mesmo, a meio caminho do deserto. Neste terceiro domingo da Quaresma adentramos um pouco mais. É bom que paremos um instante para escutar um refrão neste domingo: Estamos com sede (1ao leitura), dá-nos de beber (Evangelho). Junto ao povo de Israel, a impaciência e a revolta contra Moisés (e contra o Senhor). A água do deserto é uma água de discórdia, de revolta e de amargura. Natural, até, porém desconfiado está o povo da presença do Senhor! É interessante que o texto traz uma lembrança ao leitor e à leitora: a vara é aquela que feriu o Nilo (Ex 7,17). Lá atrás, a presença do Senhor, mostrando as maravilhas da libertação; agora, a sua presença junto à necessidade de seu povo. O convite do Senhor é para que o povo se recorde. É bom lembrar que o mesmo cajado dividiu o mar em dois para que o povo fosse, de fato, libertado das garras da escravidão (Ex 14,16). No deserto que estamos fazendo, neste tempo, o convite é o mesmo: a recordação dos feitos do Senhor. É importante lembrar, também, tudo o que Ele fez e tem feito por nós para não cairmos na escravidão da dúvida: Ele está no meio de nós ou não?! O caminho quaresmal deve ser um exercício do coração. O coração, para o povo hebreu, era a sede do conhecimento, da intelectualidade. Dessa forma, exercitar o coração é exercitar a memória para que os passos tenham sentido. Sendo assim, a esmola, a oração e o jejum deixarão de ser meros sinais exteriores e se tornarão marcas pascais de libertação.

Estamos, mesmo, no caminho do deserto. Agora sentamos, ao meio dia, com Jesus à beira do poço de Jacó. E quem é esta que chega com uma vasilha para tirar água? Ela vem da Samaria, vem da África, vem da América, vem da favela e vem do campo. Ela não sabe, mas vai se encontrar, agora, com Aquele que é a água viva. O diálogo é um dos mais belos fragmentos do Evangelho joanino (e do Novo Testamento). Um quadro pintado pelo evangelista. Repare, caro leitor, cara leitora, que por três vezes a mulher se dirige a Jesus como Senhor (vv.11.15.19). As duas primeiras depois de uma fala de Jesus (isto é reconhecimento!). A última vez precede um discurso de revelação que Jesus lhe apresenta. Vamos escutar o diálogo: Jesus fala do dom de Deus e da água viva, ao que ela responde: “Senhor, nem tens vasilha...” Depois Jesus fala de uma água que Ele dá e que é fonte eterna, ao que ela responde: “Senhor, dá-me dessa água... para que eu não precise voltar aqui!” Há um descompasso que nós leitores percebemos: Jesus está muito à frente dela, mas o olhar dela é curto. E nós? Como estamos diante da Palavra do Senhor? O nosso olhar também é curto? Mas ela o reconhece como profeta (terceira vez que aparece Senhor) e Jesus lhe diz da verdadeira adoração. Ao contrário da 1a leitura, este texto é calmaria, sem murmurações e sem revolta. Some o calor do dia, fica somente a leveza das palavras de Jesus e a atenção daquela que vem, da África, da Favela, da Samaria... Uma catequese maravilhosa em defesa da vida (Campanha da Fraternidade) das pessoas e do mundo. A mulher vê, então, os tempos messiânicos (v.25); tempos tão bons que não é mais necessária a vasilha para tirar água (v.28), porque a água da vida nasce da Palavra do Senhor e jorra na fonte do coração.


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