quarta-feira, 8 de março de 2017

2o Domingo da Quaresma

Gn 12,1-4a; Sl 32; 2Tm 1,8b-10; Mt 17,1-9

Em nosso caminho quaresmal nos encontramos, agora,com Abrão. Ele está parado a meio caminho da terra que Deus vai lhe indicar. Para entender melhor este texto é preciso voltar a Gn 11,27. Ali ele sai da terra de Ur para Canaã, mas para a meio caminho, em Harã. É preciso novo impulso e esse vem com a Palavra do Senhor. Por que pararam? Por que a estrada está feita pela metade? Reflexões que podem ter muitas respostas, mas, por ora, somente algumas indicações. Cinco vezes a palavra bênção e três vezes a terra neste pequeno fragmento de texto. Berakah abundante, bênção sem medida no meio do caminho da incerteza, mas que Abrão abraça com fé e esperança. Não importa o motivo pelo qual pararam, mas à Palavra do Senhor ele se levanta e parte “como o Senhor lhe havia dito” (v.3). Em nossas paradas no caminho, sigamos o exemplo de Abrão; em nossas incertezas na vida, confiemos e esperemos como Abrão. Na continuação do texto (v.4b, que não aparece na liturgia) se diz que Abrão tinha setenta e cinco anos. Bem próximo era o número dos que entraram com Jacó no Egito (Ex 1,5). Sendo assim, é início de novo êxodo para Abrão, novo êxodo para nós. 


Encontramos Jesus numa alta montanha (segundo Mateus), junto com três discípulos neste domingo. Mateus diz que são seis dias depois (v.1, que não aparece no texto da liturgia). É o dia da criação do ser humano, no Gênesis! É um dos textos mais famosos do Novo Testamento, um texto sinótico (isto é, que aparece em Mt, Mc e Lc). Está carregado de elementos exodais a começar pela figura de Moisés. Depois passa pela tenda (da reunião, no deserto) e pelo monte (Sinai, no êxodo). Moisés e Elias estão conversando com Jesus. É o encontro bonito entre o Antigo e o Novo Testamento! Mateus situa o seu texto antes do êxodo de Jesus da Judeia para a Galileia, que se iniciará em 19,1. É um texto que prepara o caminho, um texto verdadeiramente quaresmal, onde os discípulos e nós vislumbramos a brilhante face do Senhor no monte da transfiguração e, mais tarde, em outro monte (com esses mesmos três discípulos) contemplaremos a desfiguração de seu rosto (Paixão). A beleza desta liturgia reside na esperança da glória, assim como na esperança de Abrão. A transfiguração é a certeza para os discípulos de que o caminho do deserto não pode ser feito em vão. É motivo de alegria para os que cremos. É sinal de vida nova que brota da aridez dos desânimos e das incertezas da vida. Vamos com ele, subamos o monte e depois caminhemos, para Jerusalém!    

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