domingo, 20 de novembro de 2016

Vida de Jesus: Cruz e Ressurreição

por Ronildson de Aquino
Estudante de Teologia


 A salvação não pode ser vista somente no acontecimento trágico da morte de Jesus na cruz, mas também em toda sua vida, vida que carrega a missão de anunciar o Reino de Deus e conseqüentemente um anúncio de uma nova imagem de Deus que constitui uma verdadeira “Boa Nova” para os pobres, pecadores, oprimidos e excluídos. 

A cruz faz parte de toda vida de Jesus, pois é uma vida de doação amorosa numa paixão ardente pelo Pai e o seu Reino. Quando encaramos que o “amor” é a palavra chave na obra da salvação, compreendemos que não há capítulos separados na vida de Jesus com mais ou menos importância. João começa a descrever a “Hora de Jesus” como pura conseqüência de quem ama, de quem ama até o fim (cf. Jo 13,1). Assim sendo, Jesus morreu na cruz para nos convencer de que o amor de Deus não conhece limites, nem mesmo o limite de se entregar na cruz por nós (cf. Rm 5, 6-8). 

Jesus com sua morte na cruz desfaz todo simbolismo que esta carregava de maldição e dá um novo sentido, isto é, que o amor de Deus se manifesta na loucura da Cruz! (cf. I Cor 1,18). A salvação da humanidade aconteceu dentro de um contexto histórico, político e religioso. Em relação a este último, a imagem de um Deus misericordioso que acolhe os pecadores, que faz festa com a volta do pecador e que, principalmente, ama de forma gratuita. Esse Deus não combina com o Deus do Templo, dos sacrifícios, da Lei... conforme era interpretado pelos doutores da Lei daquela época (o que pode acontecer também hoje). 

Com Jesus a profecia de Oseias: “Porque é amor que eu quero e não sacrifício, conhecimento de Deus mais do que holocaustos” (6,6; cf. Mt 9,13) torna-se um cumprimento, no sentido que ele experienciava e comunicava ao “pé da letra” e permitia às pessoas uma nova compreensão de um Deus Abbá. Tal conflito (mas não só este) desperta perseguição e ódio contra Jesus e pouco a pouco, o desperta para que perceba com certa precisão a sua morte (cf. Mc 8,31; Mt 16,21). 

O mais interessante é que Jesus não foge diante da realidade da morte que se aproxima, e sobe a Jerusalém (cf. Mc 10,32-34). Sua morte está totalmente ligada à sua vida e o que faz tal ligação é a maneira como ele vivia no sentido mais profundo e abrangente da palavra. Uma vida toda entregue a um ministério de amor e misericórdia, de modo preferencial aos pecadores, colocando-os como predecessores no Reino dos Céus (cf. Mt 21,31).

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