quinta-feira, 14 de julho de 2016

Sobre a falta de educação


Tenho refletido, ultimamente, sobre a falta de educação das pessoas. Não se trata aqui – e aviso ao leitor e à leitora – de me colocar à parte para criticar, mesmo porque todos estamos sujeitos a deslizes e equívocos. O que tenho observado, porém, é que cada vez mais parece haver uma espécie de endurecimento das pessoas diante da realidade.

Onde estariam as causas? Onde estariam as razões de tais posturas em nosso cotidiano?

Quantas vezes você já viu, dentro de um ônibus, um idoso ou uma grávida de pé sem que ninguém se manifeste? Não raro é preciso que o motorista diga (como outro dia presenciei) “alguém dê lugar a essa senhora com a criança no colo?” Essa é, talvez, a mais comum de todas, mas existem outras em maior ou menor escala.

Penso que essas situações estão ligadas – sem pretender responder às questões colocadas acima – a uma tendência muito individualista dos tempos modernos. Essa tendência é muito observável sobretudo em centros urbanos. O corre-corre e a falta de tempo parecem ser os grandes vilões das relações humanas. Dentro de casa ou no trabalho já não mais se tem tempo, já não se fala mais, já não se diz “bom dia” em primeiro lugar.

Nota-se, também, que isto ocorre em todos os campos da vida humana e, também, no campo religioso. Os que se dizem cristãos temos um compromisso mais sério com o cultivo da fraternidade e da solidariedade. Esta última, pelo próprio nome, indica a solidez das relações e a forma mais legítima de vínculos eficazes para a ética.

2 comentários:

Bala Salgada disse...

Primeiro, obrigada, seu comentário impulsiona para frente!

Segundo, é de tirar o chapéu para quem reflete e percebe essas coisas acontecendo. Eu nunca fico sentada se houver alguém com mais necessidade que eu, é muito feio isso, realmente.

Ás vezes acho até que certos lugares religiosos, para não dizer o nome das religiões, está pregando muitas outras coisas mas não o essencial: as palavras do Cristo.

A correria realmente faz ficarmos mais distantes, distraídos, mas será que isso é tudo? Ou é mais cômodo não se importar?

Abraços e uma ótima semana!

Mayra Lopes disse...

Caro Altamir,
tenho dó da falta de tempo, ela acaba sendo acusada de crimes aos quais não tem culpa.
Serve como justificativa apenas.
Quanto ao que chama "falta de educação" o André Comte denomina no Pequeno Tratado das Grandes Virtudes de polidez.
Menciona ainda que a polidez é virtude do parecer uma vez que não somos, mas como uma tentativa para vir a ser.
Hoje a sociedade passa por uma carência de valore que já não permite o reconhecimento da virtude. Não se mira a polidez como uma forma de alcançar a doçura as pessoas buscam vir a ser padronizadas para não arcarem com o peso da própria liberdade. Terminam deprimidas e sequer percebem que são mal educadas.
É triste... mas educação não é só polidez deve ser internalizada. Isso é difícil, doloroso.
O problema é que o humano RUFFLES impera, sabe, aquele tipo que tem uma grande embalagem e vc imagina um conteúdo delicioso, mas na hora que abre o pacote, tem meia dúzia de batatas no fundo e o resto é só vazio, vazio de sentido, vazio de polidez, vazio de doçura. Só a educação confere virtudes.