segunda-feira, 25 de julho de 2016

A Gênese do Novo Testamento - Parte II



1. A VOLTA AO TEXTO GREGO


(leia a parte I aqui!)

É de se notar que, do séc. V ao XVI, o texto latino e a forma da Vulgata gozaram de uma aceitabilidade e de um lugar considerável no Ocidente. Podemos dizer, com Trebole Barrera, que houve uma “preponderância absoluta”. No entanto, novos elementos começaram a colocar em xeque essa predominância. Alguns podem ser examinados:

1) A queda de Constantinopla (1453), provocou o êxodo de helenistas para o Ocidente e estes trouxeram textos gregos. Tais textos eram, no entanto, medievais tardios e, por isso, as primeiras edições impressas os reproduziam sem muita discriminação e sem perguntar por sua origem e antiguidade. Só uma coisa causava um certo espanto: alguns textos gregos eram bastante diferentes do latim (normativo) e isso levou a uma revisão (Erasmo/Estienne) do mesmo que, inclusive, gerou condenação (Estienne-sec XVI). Muitos erros e adulterações haviam sido introduzidos como resultado das sucessivas transcrições da Vulgata. Além disso, durante a Idade Média, haviam sido acrescentadas ao texto da Vulgata, várias lendas medievais, passagens parafraseadas e interpolações espúrias. Estas ficaram tão misturadas com o texto que começavam a ser aceitas como parte dos escritos considerados sagrados. Para eliminar o que não era original, Estienne aplicou os métodos da crítica textual, usados no estudo da literatura clássica. Recorreu aos melhores e mais antigos manuscritos que existiam. Ele também pesquisou detalhadamente nas bibliotecas de Paris e arredores; em localidades tais como Évreux e Soissons. Estienne descobriu muitos manuscritos antigos, um deles aparentemente do Século VI. Ele comparou cuidadosamente os diversos textos latinos, passagem por passagem, escolhendo apenas a que parecia ser mais autêntica. A obra resultante (Bíblia de Estienne) foi primeiro publicada em 1528, sendo um passo significativo para o refinamento textual da Bíblia.

2) O segundo passo foi avisar que o texto grego não só era diferente do latim da Vulgata como dos textos mais antigos e citações dos Padres; daí se vislumbra (cerca de 1716) o princípio da leitura mais difícil que deve ser preferida.

Para ler:

BARRERA, Julio Trebole. A Bíblia Judaica e a Bíblia Cristã. Petrópolis: Vozes, 1995.

Continua

Um comentário:

Unknown disse...

Como é bom poder lê suas palavras, tão rica em conhecimentos.Deus continue abençoando muito.