segunda-feira, 13 de junho de 2016

Uma mulher escreveu a Bíblia?

Li com algum atraso, a tradução Jesus e Javé: os nomes divinos (2006), originalmente escrita em 2005, do grande crítico literário da atualidade (o judeu que não crê na Aliança), Harold Bloom.  Por que digo “com algum atraso”? Porque uma obra como essa carece de leitura imediata, tão logo saia da editora. É uma obra vigorosa, polêmica, desenraizante. Aborda temas com profundidade, analisando aspectos das três grandes religiões sob o ponto de vista da crítica literária. É óbvio, no entanto, que Bloom se detêm sobre a Bíblia, distinguindo muito bem o Antigo Testamento cristão da Tanak judaica e revelando toda a sua ojeriza ao Novo Testamento que chama de usurpador da Bíblia Hebraica.


Como a obra se referia, a todo momento, a um outro livro seu, tive a curiosidade de lê-lo. Neste momento, dedico minhas horas de leitura a'O Livro de J (1992), do mesmo autor. É uma tese extremamente atraente, onde Bloom considera o Javista como uma mulher que “viveu na ou perto da corte do filho e sucessor de Salomão, Rei Roboão de Judá, sob cujo domínio o reino de seu pai se dividiu, logo após a morte de Salomão em 922 A.E.C.” (p.21). Uma tese da qual partilho e procuro investigar. São, portanto, duas obras de grande envergadura para os estudos da crítica literária da Bíblia.

Breve glossário:

Torah: os cinco primeiros livros da Bíblia na nomenclatura hebraica que significa Instrução (Gn, Ex, Lv, Nm e Dt).

Pentateuco: é o nome dado pelos cristãos à mesma parte da Bíblia supracitada.

Javista: seria o autor de uma das camadas de escritura do Pentateuco que usa o nome hebraico (para Deus) Yahweh ou Javé.

Tanak: acrônimo da totalidade da Bíblia Hebraica: Torah (instrução), Nebiim (Profetas) e Ketubim (escritos).

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