quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Sobre escutar e falar I

Parece que nestes tempos em que estamos vivendo, onde os aparelhos de telefonia e seus inúmeros aplicativos permitem um sem número de possibilidades, estão ocorrendo mudanças no mínimo curiosas. Creio poder começar com algumas definições básicas a partir de algumas palavras fundamentais. Em primeiro lugar, o substantivo telefone.

Imediatamente, por um dicionário de etimologia, descobrimos que tele significa longe e fone, voz ou som. É uma junção de duas palavras gregas. Como se poderia traduzir? Falar longe? Voz distante? Jogar o som ao longe? Talvez não seja preciso uma definição exata, porque já entendemos bem (até pelo uso do aparelho) do que se trata. O mais curioso, no entanto, é que a palavra não foi inventada para o aparelho (1876), mas existia antes dele, pelo menos uns 30 anos, em francês. O alemão parece conhecer e palavra desde 1796. 

Fica claro, porém, que o telefone já deixou, há muito, de ser usado apenas para jogar a voz ao longe: hoje ele joga textos, imagens, vídeos e mensagens de voz (gravações). Os aplicativos se multiplicam e aparecem a todo momento: seja para o trânsito, para pedir pizza, para ver horário de ônibus, para saber quem está bisbilhotando em seu aparelho, desvendar senhas wi-fi, anti-vírus, carinhas de felicidade, mapas, etc. Em dezembro de 2015, o IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) divulgou os 15 aplicativos mais usados no Brasil. No topo da lista – claro − o whatsapp, utilizado por 93% dos brasileiros e brasileiras. É curioso que na etimologia de whatsapp está algo que aponta para uma pergunta (what?). Considero isso importante e direi mais tarde.

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