domingo, 6 de setembro de 2015

Os salmos como orações do povo de ontem e de hoje

1- O nome:

O termo “mizmôr” (traduzido por salmo) é derivado da raiz “zamar” que indica: cantar, cantar louvor, fazer música. Esta raiz é usada somente para poesia e, por isso, sua presença é notada quase que exclusivamente nos salmos. Designa o louvor do povo de Israel a Deus (Sl 104,33).

2- Traduções:

A tradução Grega (G) e a Latina (L) onde se apoiaram algumas traduções católicas, faziam uma distribuição diferente dos salmos em relação ao texto hebraico (H). Assim, os textos em H tidos como Sl 9 e10 são numerados por G e L como um salmo, apenas (9). Donde: 1-8 e 148-150 em H, G e L tem a mesma numeração; os demais salmos em G e L ficam um número atrás do H; Ex: o Sl 11 em G e L corresponde ao 12 em H: 12 (11); G e L ficam entre parêntesis; traduções mais recentes se apóiam em H.

3- As épocas e as melodias:

a origem do saltério é complicada permanecendo quase hipotética. Neste aspecto, a datação fica, também, muito comprometida e há divergências entre os críticos. Pode-se dizer, com certo grau de segurança, que a compilação do livro, na forma em que se encontra atualmente, não pode ter sido completada antes do exílio (586 a.C). Com isso, salmos individuais se tornam nacionais e orações particulares se transformam em liturgias. Exemplo sutil deste problema é o Sl 51, em perspectiva histórica.

Parece não haver condição nenhuma para a datação de cada salmo em particular. Há quem creia que o Sl 29 seja uma adaptação israelita de um poema cananeu. Talvez seja, assim, o salmo mais antigo podendo ter sido escrito antes da monarquia. O tempo exato da origem de algum salmo só é encontrado muito raramente. É o caso do Sl 137. Alguns títulos sugerem como o salmo deva ser cantado: Sl 22; 45. Há indicação, também, de instrumentos musicais: Sl 5 e 6.

4- A estrutura do Livro:

Um olhar superficial não permite uma distinção clara da estrutura do Livro de Salmos. Contudo, alguns autores observam critérios que permitem uma divisão do livro. Há um consenso de que os títulos dos Salmos e algumas coletâneas individuais são caminhos seguros para a demarcação deste vasto território. Este consenso já permite, há algum tempo, a divisão do saltério em cinco livros (1-41; 42-72; 73-89; 90-106; 107-150). A divisão foi possibilitada pelas fórmulas fixas de oração colocadas no fim do último salmo de cada livro. Fica evidente que esta divisão só foi possível “numa época em que a coleção de salmos já existia na forma atual”. Como se mencionou, verifica-se, também, algumas coleções que poderiam ter sido independentes: 3-41 (Davi); 42-49 (qorâh); 72,20 (refere-se a 51-72); Davi 73-83 (asap); 120-134 (peregrinações).


Um comentário:

Idevanir José de Almeida disse...

Interessante caro amigo Altamir. Gostei desse assunto dos salmos.

Grande Abraço!