sábado, 8 de agosto de 2015

O êxodo no Novo Testamento – algumas conclusões



É inegável a força evocadora dos eventos exodais na configuração da Bíblia Hebraica e em suas releituras. Esses elementos, no entanto, não aparecem somente em nível literário, mas subjacentes aos campos semânticos e ideias mais comuns nos diversos corpora do Primeiro Testamento.

Os textos mais antigos dos profetas recuperam essas temáticas e as adaptam ao contexto histórico de mudanças e crises pelos quais passam os profetas e, sobretudo, no século VIII. Nota-se, em alguns desses profetas, elementos que ampliam e re-colocam imagens e temas do êxodo sob novas luzes.
A literatura Sapiencial, embora não desenvolva temas como Aliança e Libertação, não deixa de atentar-se aos pontos importantes da relação entre o povo de Israel e seu Deus. Isso aparece muito fortemente nos temas que tocam a idolatria e o afastamento dos ensinamentos e Sabedoria divinos que geram a prisão e o declínio da vida humana.

Os ensinamentos de Jesus e suas obras apontam com muita clareza sua dependência destes eventos fundantes da história do povo antigo. Ele recupera a “Lei de Moisés” como ponto de apoio para suas pregações e ações evocando sua força e autoridade no trato das relações humanas e abrindo os olhos de seus contemporâneos para suas atitudes libertadoras.

No que tange aos elementos literários, a dependência dos autores sagrados neotestamentários se faz notar não em poucos lugares – às vezes explícita, às vezes implicitamente – no decurso de sua elaboração teológica do significado da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. Vale re-ler Paulo em suas exegeses do Antigo Testamento e, sobretudo, na relação que sugere em 1Cor 10.

No que se refere aos Evangelhos, uma das principais teologias de fundo é a relação da configuração pascal no sangue do cordeiro que evoca de modo brilhante a Antiga Aliança exodal. De Mateus ao Apocalipse, a nova comunidade cristã fundada na fé pascal é parte consagrada e povo eleito para os bens da Nova Aliança no Sangue do Senhor. Tal é assim que o contexto da Páscoa de Jesus no decurso da páscoa judaica é visto e aceito pelo próprio Senhor como elemento norteador aos discípulos desorientados pelo escândalo da cruz.

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