quarta-feira, 8 de abril de 2015

Páscoa não é [só] passagem


Páscoa é uma palavra hebraica (pesah) que, às vezes pode ser colocada junto com outra raiz que significa mancar, coxear, claudicar. Em 1Rs 18,21a, Elias aproximando-se de todo o povo disse: Até quando mancareis das duas pernas? Parece que a palavra tem, também, uma aproximação com um termo egípcio que significa golpe, ferimento. Sendo assim, pode-se entender melhor Ex 12,12 quando diz: “E naquela noite eu passarei pela terra do Egito e ferirei na terra do Egito todos os primogênitos...” É a décima praga.

A Páscoa aparece como um rito de pastores. Um sacrifício realizado por semi-nômades muito antes do tempo do êxodo. Era o sacrifício de um animal jovem para garantir a fecundidade de todo o rebanho e sua prosperidade. Este povo se deslocava pelo deserto à procura de alimento para si e pastagem para o rebanho na época da primavera. No momento da partida e com a finalidade de evitar as investidas dos demônios do deserto, sacrificavam em família um animal, tingindo os suportes de suas tendas com o sangue do animal sacrificado. Em Israel esse gesto é usado para recordar a fuga do Egito. A Bíblia menciona a festa nas seguintes passagens: Lv 23,5; Nm 28,16; Ez 45,21; Dt 16,1-5. 

Uma curiosidade interessante diz respeito ao fato de que desde que o povo se estabeleceu na Terra até o tempo do rei Josias a páscoa pode não ter sido celebrada (Fohrer), como indica 2Rs 23,21-22. Era uma festa noturna, celebrada à lua cheia, na noite do mês que é mais clara (R De Vaux). É uma festa muito antiga, remontando (como já se mencionou) à época semi-nômade e mesmo anterior ao êxodo e à festa do deserto. A festa é um reviver do êxodo. É a celebração de Israel em comemoração à sua constituição como povo de Deus.

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