domingo, 18 de janeiro de 2015

Por que não sou cristão



Um livro que coloca ao leitor questões que nunca mais poderão ser ignoradas


Por que não sou cristão é considerado um dos mais blasfemos documentos filosóficos jamais escritos, e, numa época de sectarismo e guerras por crenças religiosas, traz uma mensagem que não poderia ser mais relevante. Esta obra reúne o texto que dá nome ao livro e outros treze escritos de Russell sobre religião e assuntos afins, como a ideia da virtude, do livre-arbítrio, o sexo e a morte, além de um apêndice que conta o famoso caso de como o futuro Prêmio Nobel de Literatura foi impedido de lecionar na faculdade municipal de Nova York. A polêmica foi imensa e envolveu a igreja, a imprensa, teve apoio de políticos e de diversas associações, e chegou à Suprema Corte.

Em pleno período entre-guerras, Russell ousou colocar em xeque o credo em Deus e em Jesus Cristo em favor de um mundo com mentes e corações abertos, independente de sistemas rígidos e abusos em nome de interesses eclesiásticos. Segundo o autor, as religiões fazem mal, não são verdadeiras e o medo é sua grande força propulsora. Ele transmite a ideia de que um mundo sem crenças cegas seria livre da virulência das hostilidades grupais e revela o desejo de ver uma sociedade na qual a educação se destine à liberdade de pensamento, livre dos dogmas religiosos, que existem apenas para proteger as pessoas – dos males do mundo e delas mesmas.

Normalmente citado junto ao Cândido, de Voltaire, A idade da razão, de Thomas Paine, A última tentação de Cristo, de Martin Scorsese, e A vida de Brian, do Monty Python, Por que não sou cristão, apesar do tom bem-humorado, coloca ao leitor questões que nunca mais poderão ser ignoradas.



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