domingo, 7 de setembro de 2014

Quem era Jesus?


Judeu de nascimento
(Texto gentilmente cedido por Xabier Pikaza Ibarrondo)

Tradução: Altamir Andrade

Os israelitas nasciam (e nascem), tendo sua vida pessoal e social vinculada a um contexto onde tradições, profetas e livros antigos marcavam a identidade de cada um e conformavam, de algum modo, sua alma. Atualmente, crescemos, por regra geral, num entorno que não sabe dizer quem somos. Desta forma, parecemos condenados a buscar uma identidade que nos escapa correndo o risco de morrer sem ter descoberto o que podíamos ter sido. Jesus, ao contrário, nasceu em um povo e em uma família onde muitos haviam esperado e preparado sua chegada para lhe dizer quem era e como devia se comportar. O conhecimento de seu passado (tradição) foi um elemento essencial de sua experiência.

Levava escrito, de antemão, seu futuro, mas ao mesmo tempo devia interpretá-lo e concretizá-lo ao longo de sua vida decifrando sua personalidade. Tudo o que poderia ser se tinha sido anunciado nas promessas de Deus (a escritura); mas tudo devia ser confirmado e concretizado por si mesmo em sua própria história, dedicada ao anúncio do Reino de Deus e ao serviço dos pobres. A partir deste pano de fundo, se entende o que se segue: nasceu e viveu desde as figuras e promessas de Israel (em especial as de Moisés, Elias e David). Era um esperado, um destinado, mas ao mesmo tempo, teve que traçar sua identidade pois havia outros modelos de realização messiânica e política. Foi súdito do império romano, de maneira que sua figura pode e deve comparar-se à de Julio César.


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