quarta-feira, 9 de abril de 2014

As Mulheres em Lucas: um inventário - Parte II

Alguns versículos depois a segunda mulher é apresentada. Ficamos sabendo que era uma jovem e virgem, delineando-se, assim, o contraste com a anterior: idosa e estéril. O nome desta virgem era Maria (1,27). 

O seu nome carrega algum simbolismo: O grego Mariam. É uma mistura de egípcio e hebraico, donde mrjt ou MIRI, significa amada ou querida. Já ‘am, é indicação de povo. No entanto, é possível achar um significado mais interessante ainda, com base no nome da irmã de Moisés: Mireyām (Nm 26,59), cujo pai se chamava ‘Amerām. Assim sendo, poderia ser traduzido por querida de ‘Amerām, ou queridinha do papai. 

O pai de Maria, poderia ter tido o mesmo nome do pai de Myriam, irmã de Moisés. Cabe uma breve conclusão sobre estas duas, uma vez que seus destinos se cruzam: são primas. A jovem visitará a mais velha, ao saber que ela também concebeu em sua idade avançada (1,36). O Evangelista as coloca frente a frente com palavras, mas os gestos mesmos vêm de seus ventres, onde os dois meninos (Jesus e João) se encontram pela primeira vez. Curiosamente, ainda estão envolvidos em água e, quando se encontrarem novamente, o tema da água permanecerá envolvendo a ambos

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