sexta-feira, 3 de maio de 2013

A Ressurreição de Jesus - 7ª parte



6ª Parte


De tudo isso constatamos que o desacordo Mc/Lc, a tradição própria de Mt e o aspecto extremamente simbólico de João nos deixa em suspense sobre esse gesto. Qual conclusão poderíamos tirar destas observações? Parece que, se Brown estiver correto e tem muitas razões para estar, os relatos do túmulo vazio formam como que uma ponte entre a paixão e as aparições do Senhor Ressuscitado. Por isso são extremamente livres na narração, desde a informação do número de anjos até a perspectiva dos aromas e nomes e números de testemunhas. O pouco interesse de Marcos em aparições angélicas – e mesmo assim parece aludir a um anjo - revela que o que ele conta tem raízes mais antigas.

As palavras dos anjos indicariam, assim, o elo de ligação que prediz as aparições. Desta maneira esta seria a melhor explicação para o fato de que o segundo evangelista não narra aparições em seu evangelho considerando o seu término em 16,8. Ele nos deixa no desconforto de dizer que as mulheres não contaram nada a ninguém. Se de fato não contaram poderíamos entender que possivelmente haveria uma tradição de alguns que viram o Senhor ressuscitado sem saber da notícia do túmulo vazio.

O relato muito particular de Mt indicando que os dirigentes judeus mandaram vigiar o túmulo tem dificuldades históricas sérias. Poderia ser uma resposta já no tempo de Mateus e não uma tradição antiga. A violação de túmulos era castigada, por que, então, não mandaram castigar os discípulos? Assim como as mulheres vão dar a notícia aos amigos, os guardas vão aos inimigos. O evangelista insiste no poder corruptor do dinheiro que entrega e muda as versões dos fatos.

Para finalizarmos as considerações sobre o sepulcro vazio, notamos o seguinte, ainda com Brown: ou o sepulcro não era conhecido ou, se era, estava vazio. A segunda referência é mais plausível. O sepulcro vazio não é o sinal da ressurreição. Os cristãos não crêem em sepulcros, mas em Jesus. Sua função, então, repetindo, é fazer a ponte entre a paixão e as aparições já que podemos nos perguntar: por que toda uma narrativa da paixão se não fossem pressupostas as indicativas da ressurreição? E mais, se o túmulo não estivesse vazio, dificilmente se sustentaria a pregação dos apóstolos naqueles dias em Jerusalém.

Como última consideração, é digno de nota que nem Paulo e nem as primeiras formulações de fé na ressurreição mencionam o túmulo vazio. Isso já significa que este é um pormenor não essencial à fé na mensagem de Páscoa (FABRIS, p.301).

Continua

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