quarta-feira, 10 de abril de 2013

A Ressurreição de Jesus - 2ª Parte



Leia a primeira parte aqui!


1. Observações preliminares sobre a cronologia narrativa dos Evangelhos e Paulo


É consenso amplo e antigo de que Paulo completa seu epistolário antes do primeiro evangelho ser colocado por escrito. Sendo assim, aceita-se o período imediatamente após a Páscoa com as cartas do Apóstolo sendo colocadas a partir do ano 49 (1ª carta aos Tessalonicenses) pelos mais otimistas. É fato que a maior parte de suas cartas estão no apogeu e no final de sua atividade missionária e isso abre espaço para a compreensão de um período anterior de ministério sem que tenhamos, sobre ele, notícias mais precisas.

Após a redação paulina, encontramos o consenso de muito tempo que coloca Marcos como relato mais antigo (70 dC) dentre os evangelhos. Sendo assim, teria sido seguido e ampliado por Lucas e Mateus (80 dC) - numas partes e noutras não - em pontos centrais de sua mensagem. Isso levou à constatação de que são sinópticos e também de que Lucas e Mateus pudessem ter se valido de informações que Marcos não tinha ao seu dispor. Nasce daí, a famosa teoria da Fonte Q (do alemão Quelle – fonte). Mais longe está João, já na década de 90. Uma curiosidade interessante é a de que dos mais de 600 versículos de Marcos, apenas uns 30 permaneceram com ele, os outros foram tomados e reelaborados. Apesar de parecer simples esta explanação, ela contém elementos de extrema complexidade que, não raro, se perdem em longos debates teóricos sobre as respectivas fontes para cada evangelista.

Nas afirmações feitas até aqui, ficam evidentes alguns elementos:

- a distância existente entre o evento e os escritos (20 anos para Paulo; 40 ou mais para os evangelhos);
- a tradição oral por detrás dos escritos;
- o ambiente e as necessidades dos ouvintes onde nascem estes escritos;
- a interpretação dos pregadores/redatores dos eventos da vida de Jesus.

Continua... 3ª Parte

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