quinta-feira, 13 de abril de 2017

Quem matou Jesus?


Considerando a cronologia do Evangelho de Mateus – e não quero me alongar nisso – Herodes, O Grande, reinou na Palestina de 37 a 4 a.C. Foi o responsável pela ampliação do Templo que veio a ser chamado de Templo de Herodes. Sendo assim, Jesus teria nascido no ano 6 a.C. e é bom lembrar que Herodes manda matar as crianças de dois anos para baixo pois não estava certo da data sobre Jesus.

Jesus teria vivido sua infância, adolescência e juventude em Nazaré ou arredores, talvez Cafarnaum decidindo-se por sua chamada “vida pública” ao redor dos seus trinta anos como nos avisa Lucas (3,23). Ora, são muitas as indagações sobre o que ele teria feito neste período anterior. Para falar sobre ele é preciso chamar a atenção para algumas preocupações sobre Jesus na atualidade. Eu diria que temos, pelo menos, três jesuses e um quarto não está descartado.

O primeiro deles (sem querer hierarquizar) é o Jesus histórico. Aquele que nasceu e viveu na Palestina do primeiro século, filho de José e Maria. Trabalhador, talvez iletrado, camponês. Os estudos sobre este Jesus estão avançados e se multiplicam e cito alguns nomes importantes: Paul Méier, Dominic Crossan, Gerd Theissen e Geza Vermes. O segundo é o Jesus dos Evangelhos (repare que uso em maiúscula) também identificado com o Cristo da Fé (não se dissociam como querem alguns). Senhor dos Senhores, o Ressuscitado e fundador do Cristianismo. O terceiro é o Jesus de Hollywood. Aquele que estampa capas de revistas, que fugiu com Maria Madalena e que dá ibope vendendo milhões de livros e películas. Este é bem ao contrário daquele do Evangelho que pedia discrição aos curados e curadas, perdoados e perdoadas e que até os apartava do meio da multidão para melhor conhecer seus problemas.

Outro dia estava diante da TV e vi um pastor evangélico pregando (uso em minúscula e não tenho nada contra os evangélicos até porque tento ser um, etimologicamente falando). Ele dizia que o Jesus no qual ele acreditava era o da prosperidade, aquele que quer que a gente ande de carro, que tenhamos dinheiro (e insistiu muito nessa palavrinha mágica). Aquele Jesus que quer te ver (leitor e leitora) com uma gorda conta bancária. Nada mal. Acho até que Jesus nos quereria bem assim! Só que fiquei pensando que estou lendo um outro evangelho (em minúscula). Leio o (E)vangelho do não ter lugar para reclinar a cabeça; o Evangelho do vender tudo e dar aos pobres; o Evangelho das prostitutas e pecadores; o Evangelho do dar a César o que é de César e do não servir a dois senhores.

Creio que Este seja o Evangelho mais original diante de tantos “piratas” que apareceram e aparecem por aí. O leitor e a leitora devem estar se perguntando quando vou falar do título desta postagem. Pois sim, no fim da vida de Jesus (aquele dos Evangelhos e não o de Hollywood ou o do pastor da TV) a gente nota um contínuo afastar-se das questões do templo (e não Foi o único, vide os monges de Qunran). Parece que, aos poucos, vai se distanciando e se desiludindo com a forma como a religião está sendo tratada pelos seus contemporâneos (vide Marcos 13 e João 2). Sendo assim, o Sanedrin ou Sinédrio (sacerdotes, anciãos e escribas em número de 71) o condenam e o poderio romano o assassina. A história não é tão simples assim, é mais complexa, mais dolorosa. Além disso, nós (hoje) continuamos a apresentar um Jesus que não co-incide com aquele do Evangelho. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!


2 comentários:

Nágila Souza disse...

Realmente estão maquiando o evangelho e passando uma mensagem destorcida de Cristo.
Deus tenha misericordia de nós.
Paz do Senhor

Maria Duarte disse...

Essa teologia da prosperidade é muito complicada! Acredito que vai na mesma linha da customização da fé. Não é nenhum pouco digno distorcer a palavra, não é a PALAVRA que tem que se adequar ao povo!Mas o povo se adequar no verdadeiro sentido da palavra...O que Jesus Cristo quer realmente de nós????