sábado, 9 de março de 2013

Gabriel

Por acaso uma mulher se esquecerá da sua criancinha de peito? Não se compadecerá ela do filho do seu ventre? Ainda que as mulheres se esquecessem eu não me esqueceria de ti. (Is 49,15) 

Sim, profeta! Ontem isso aconteceu. Mais uma vez! Uma criancinha de oito meses encontrada num banco de praça, em São Paulo. Instantes antes da chuva. Momentos antes que céu derramasse lágrimas tão fortes, por ela e pelos outros milhões que são abandonadas a todo dia. Junto a ela apenas uma sacolinha, com poucas roupas, uma mamadeira e o mundo inteiro ao seu redor. 

Sim, profeta! É verdade. Ontem era o dia internacional da mulher. Imagino que muitas das que já hospedaram uma criancinha em seus ventres sentiram a dor da perda, uma indignação impotente. Imagino que mesmo as que nunca tiveram filhos foram tocadas pela mesma dor. Sim, uma mulher (ou um homem) se esqueceu da sua criancinha, não se compadeceu do filho de seu ventre. Os motivos são os mais misteriosos e talvez jamais viremos a sabê-los. 

O menininho foi chamado, por aquelas que o acolheram, de Gabriel, cujo significado é força de Deus ou homem de Deus. Disseram que trata-se de um anjo. Por que não? O Gabriel da Bíblia anunciou o nascimento de crianças: quem anunciou o nascimento deste (outro) Gabriel? Sim, profeta! Embora estejas falando de Jerusalém, aplico tuas palavras aos pequeninos de entre nós. Assim como cantas o louvor a Jerusalém, eu canto a alegria de pais e mães que, unidos a mim, poderão dizer a respeito desse pequeno Gabrielzinho de oito meses: esse meu filho estava perdido e foi encontrado. Estava morto e voltou a viver!

Um comentário:

Cammy G. disse...

Triste o episódio mas lindo o seu texto! Tenho que passar por aqui mais vezes!
Abraços, Altamir!!