terça-feira, 20 de novembro de 2012

Fé e revelação


São duas coisas distintas?


Na perspectiva bíblica, fé e revelação aparecem unidas. Basta pensarmos no encontro de Deus com Moisés. Ali o Senhor revela seu nome em meio à sarça ardente (Ex 3). Revela a missão de Moisés e aponta o sofrimento do povo.

Este esboço de parte da revelação nos lança para frente e para trás. O que Deus diz a Moisés? O v. 15 é claro: Deus dos pais! Implica em reacender a fé de Moisés com base na fé de seus antepassados! Vejam bem: Moisés é descendente de Levi que é filho de Jacó, que é filho de Isaac, que é filho de Abraão. É assim que começa o Novo Testamento (Mt 1,2).

Neste sentido, a revelação de Deus lança nova luz sobre a missão de Moisés. É interessante que o que protege os filhos de Israel na Páscoa seja uma coluna de fogo! E a sarça arde! E a luz brilha nas trevas! Quando a revelação lança para frente implica em promessa: o povo vai para uma terra boa. É a grande promessa bíblica para um povo sem terra.

Todo o Antigo Testamento vive dessa promessa. Isso é fé! Nos momentos mais difíceis é ela que anima. Faz o povo recordar que o Senhor vai à sua frente, conduzindo seus passos. Não é auto-suficiência como o nosso tempo quer nos convencer. Deus se revela aos poucos, calmamente: no deserto, na fome, na sede, na fartura, no nascimento de crianças, nas bodas, nas guerras e nas palavras dos profetas. Vide Oséias c. 11.

Quando chegamos no Novo Testamento encontramos um exemplo clássico e indispensável na carta aos Hebreus 1,1-2. A revelação de Deus se dá por sua Palavra (dabar- criação). São João chama de logos, verbo. No princípio era o Verbo. Falou pelos pais (já vimos); pelos profetas (já vimos) e agora? O Senhor fala pelo seu próprio Filho: esta é a revelação por excelência!

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