terça-feira, 23 de outubro de 2012

O estrangeiro e o hóspede

O conceito de estrangeiro, recorrente nas diversas narrativas que compõem, sobretudo, o Antigo Testamento, aparece unido ao tema da hospitalidade, tornando-se indissociáveis. Em última análise, estrangeiro e hospitalidade têm como pano de fundo a língua. Jacques Derrida argumenta, em Da Hospitalidade (2003), que, quando se pede hospitalidade em uma língua estrangeira, já se está em uma posição ligeiramente inferior (DERRIDA, 2003, p. 23). Essa posição se torna ainda mais complexa quando esse estrangeiro se coloca sob as leis do outro e passa a ser julgado em uma outra língua. Aquele que hospeda fatalmente impõe condições de acolhida ao seu hóspede, como afirma Derrida. 

Ele lembra, a partir do livro de Émile Benveniste (Le Vocabulaire des Institutions Indo-Européennes) que o tema da hospitalidade carrega em si um paradoxo, uma vez que hostis, em latim, significa hóspede, mas também, hostil. A dubiedade da palavra coloca, então, diversas perguntas. É por isso que a questão do estrangeiro sempre volta: “Quem é ele? Quem é ela? O que significa ir para o estrangeiro? O que significa ser estrangeiro?”. Essas indagações de Derrida implicam em uma investigação minuciosa do que significa “o familiar e o não familiar, estrangeiro e não estrangeiro, cidadão e não cidadão” (DERRIDA, 2003, p. 39).

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