sábado, 4 de agosto de 2012

A Hospitalidade III

1. A hospitalidade, na Bíblia, é, para mim, tema de grande relevância. Coloco-me a comentar, livremente, Gn 18, onde três anjos (e depois somente o Senhor) visitam Abraão e Sara. Naquele episódio, que considero um dos mais interessantes da Bíblia, o casal recebe os visitantes e se coloca a servi-los adiantando-se nas leis sagradas da hospitalidade. Abraão não pode atinar que se trate da visita do próprio Deus e, apesar do maior calor do dia (v.1), sinal de grande claridade, a mente do patriarca parece ofuscada.

2. O texto diz que ele faz tudo com extrema rapidez: traz água, pão, pede a Sara que prepare farinha para pães cozidos, mata um novilho, além de trazer coalhada e leite. Tudo isso acusa a prodigalidade da hospitalidade. Abraão, no entanto, está no plano das coisas práticas, externas, enquanto que o verdadeiro e grande motivo da visita dos hóspedes (hóspede) ainda não fora mencionado. Essas atividades de Abraão deixam claro que nada disso ocorreu em menos de meia hora. Apesar da urgência da cena, o leitor e a leitora ficam a refletir que esse movimento pode ter durado um longo tempo, durante o qual, houve diálogo e outras coisas mais.

3. Podemos dizer, então, que o texto toma, agora, um novo rumo. Isso fica marcado pela pergunta do(s) hóspede(s) sobre a figura de Sara. Somos informados, então, que a matriarca − embora presente nos preparativos − não esteve o tempo todo à vista dos hospedes. Isso não deve estranhar, trata-se de conversa de homens, a tradição é patriarcal e as mulheres devem ficar à margem. No entanto, é a ela que a visita é endereçada com a promessa de descendência. Ela parece ouvir de dentro da tenda, meio que bisbilhotando, o que dá ao texto um toque cômico. O visitante percebe o sorriso de Sara que redundará no nome de Isaac (o que ri). Sabemos, pois, que ambos são de idade avançada e que não podem ter filhos, no entanto, o(s) hóspede(s) lhe(s) traz(em) este presente. 

Continua...

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