terça-feira, 3 de abril de 2012

O Salmo 23

Tradução de João Ferreira de Almeida

1. O Senhor é o meu pastor, nada me faltará.
2. Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas.
3. Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome.
4. Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; teu bastão e o teu cajado me consolam.
5. Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.
6. Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do Senhor por longos dias.

O pastor é, em hebraico, ro'i, da raiz ra’ah e, por isso, “meu pastor”. É uma imagem frequente no Antigo Testamento para indicar governante. Aparece em 2Sm 5,2; 7,7; Mq 5,4 e outros textos. Na Mesopotâmia, o rei sumério era chamado pastor; o mesmo no Egito e na Grécia. A raiz hasar é o verbo para “faltar”. Revela que Deus é o pastor e então não falta nada; o sentido da segurança que é desenvolvido nos versos seguintes. Assim, o que é anunciado no v. 1 é claramente exposto no resto do salmo. Interessante que haser (donde vem hasar) designe “carecer, ter necessidade, estar faltando (alguma coisa)”. A a frequência do uso deste verbo indica que a proteção de Deus é suficiente. É como se eu dissesse: se o Senhor é meu pastor, não careço de mais nada”. No deserto não faltou manah (Ex 16,18). Veja outros lugares: 1Rs 17,14; Sl 34,10(11); Is 51,14; Pr 31,11.

Nenhum comentário: