sábado, 17 de dezembro de 2011

Cachorros e crianças

Circula na net e, sobretudo em redes sociais, um vídeo sobre enfermeira que espanca um cachorrinho até à morte(?). Impressiona a indignação dos internautas e até mesmo a mobilização para a punição de tal pessoa. Na atual força que as redes têm, até a polícia é mobilizada em razão do protesto geral. Não é que eu me coloque alheio a isso ou não reconheça a dignidade dos animais que convivem conosco nesta espaçonave terra. O que me intriga, no entanto, é que para outras questões como o abandono de crianças, o desrespeito dos pais e mortes das mesmas, nem sempre se tem o ibope que o espancamento de um cachorro proporciona. Estaríamos acostumados a isso? Será que, talvez, já estamos resignados? Muitos se recordarão da sensação que foi o cachorrinho Leão, que guardava o túmulo da dona no contexto da tragédia em Teresópolis, no início do ano. Alguns argumentarão, para o caso citado no início do texto, que a mulher fez tal coisa diante de sua filha, de 3 anos. No entanto, ninguém nega que o peso maior está na violência sofrida pelo cão. Mas hoje, quando se tem uma câmera e um olho atento, tudo o que é privado vira público e amanhã já está esquecido. No entanto, lembremo-nos, de fato, de quem precisa ser lembrado: cerca de 8 milhões de crianças são abandonadas no Brasil, todo ano, segundo o IBGE. Essa semana, morreram duas em Porto Alegre, queimadas dentro de casa, mas como não havia câmeras e cliques no YouTube, ninguém ficou sabendo!

Um comentário:

Anônimo disse...

Existe um equívoco no foco acredito! A violência doméstica, o abuso e abandono a crianças e mulheres. O descaso com o humano devem ser combatidas e denunciadas, claro. Combatidas e denunciadas sempre, claro! Mas o fato dessa enfermeira matando o cachorro em 3 dias numa brutalidade fora do comum é chocante. É indizível o grau de covardia, brutalidade, maldade, criminalidade, etc. Essa mulher não sabe de nada sobre cuidar. Como pôde se fazer enfermeira? Como pôde se fazer mãe? E outra um animal de meses, que foi comprado, escolhido (?), querido (?), desejado (?) e indefeso pode morrer assim e nada ser feito. Ela, mulher, em nada ainda foi punida. A vida tá banalizada mesmo. Alguns reais não é punição. E claro ela precisa ser tratada, antes que mate sua filha também, num dia em que ela não esteja bem, pois animais e crianças , indefesos que são, são mais suscetíveis de abusos e covardias.