segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Canção à Chuva

Chover é quando sempre belo chora o céu
Em cordões que brancas nuvens leves soltam
Um mar de pingos que nunca beijam ao léu
Como as lembranças que ao peito sempre voltam

Em linhas limpas, cristalinas, sobre as folhas
Que preguiçosas se balançam na dolência
E o pêlo esguio de um cavalo sob as bolhas
Que se deformam e se desfazem como ausência

E os rios olham para cima e se alegram
Ficam mais vivos no caminho para o mar
E no ruído que é seu próprio se acalentam
Como num sonho há o perigo de acordar

E quando mais se esbranquece o meio dia
Num manto frio que se estende sobre o mundo
A solidão se insere sempre mais vadia
Enchendo o leito de um regato tão profundo

E a água fria que se escorre sobre os ombros
Roçando indócil as regiões do coração
Sugere nele que a quentura é de escombros
Mais perigosa é a chuva sem trovão

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