quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Sinfonia da Vida

Às vezes a minha vida
é como um acorde em dó
dado num órgão antigo
onde o som já sai empoeirado

Apesar de ser o dó
uma nota universal
soa tão diferente
em cada ouvido humano

A vida passa serena
como uma música na pauta
tendo acordes dissonantes
harmonias e acidentes

Quisera que cada homem
na sinfonia da vida
pudesse reger
sozinho
a orquestra de seus amores

Um comentário:

Anônimo disse...

Talvez fosse preciso mais que a passagem de um cometa [não de setenta em setenta e seis anos, mas de minuto em minuto] para levar luz à escuridão onde se busca o conforto desconfortável da dor. Seria, quem sabe, necessário o desejo de permitir às velas que velam por nós enquanto dormimos, sonhamos, enquanto planejamos e desistimos de planos... quem sabe seria preciso permitir olhar a pequena luz, a mínima luz para sair um pouco, "atravessar a dor e quem sabe saber um dia deixá-la?".
Quisera que, na sinfonia dos dias,
Cada homem
Pudesse escolher as notas
Que comporiam a orquestra de seus amores
Quisera que cada homem visse na vida serena
Que passa
A passagem de afetos, de músicas
Mais que de acidentes

Pois apesar de ser o dó
Uma nota universal
É preciso apurar o ouvido
Para senti-lo sonar distintamente
Em cada novo instante
E é preciso ter ouvidos dispostos a ouvir
a melodia dos silêncios
as notas que ferem
iluminam
se apagam
Às vezes a vida
á um acorde em dó...