domingo, 3 de julho de 2011

Os Livros Apócrifos - parte II

Nos princípios do sec. IV, o cânon fica definitivamente fixado, pelo menos em suas linhas fundamentais e assim, a noção de apócrifos fica perfeitamente delimitada. Eusébio, ao tratar dos livros do Novo Testamento, depois de enumerar os que unanimemente são aceitos por todos (protocanônicos) e os que ainda são objeto de discussão (deuterocanônicos), fala de outros que são bastardos e espúrios os quais, em grego, denomina "nota". Entre estes distinguia duas categorias:

a) a dos que, ainda não pertencendo ao corpo neotestamentário, são citados por autores eclesiásticos e apresentam um caráter ortodoxo: versão grega dos Atos de Paulo, o Pastor de Hermas, a Carta de Barnabé, o Apocalipse de João, o Evangelho dos Hebreus, etc.

b) aqueles que, sendo de conteúdo herético, pretendem substituir as escrituras canônicas e por isso se abrigam sob o nome de apóstolos: versão grega dos Evangelhos de Pedro, Tomé, Matias, os Atos de João, etc.

Resumindo, podemos, em conclusão, fixar em duas as características ou notas do apócrifo neotestamentário:

a) sua acanonicidade;

b) sua pretensão de substituir ou equiparar-se aos escritos inspirados com intenções nem sempre confessáveis;

Deslindado assim o campo, se entende como não podem se incluir neste conceito escritos como as cartas de São Clemente ou de Santo Inácio, a Didaké, o Pastor de Hermas e outros escritos análogos que certos catálogos posteriores e, inclusive autores modernos consideravam como apócrifos, sem dúvida porque tais escritos se encontram às vezes nos mesmos códices da Sagrada Escritura (o códice Sinaíticus contem o Pastor de Hermas e a Carta de Barnabé. O códice Alexandrino, as cartas primeira e segunda de Clemente). Para um estudo detalhado sobre os códices e manuscritos do Novo Testamento, veja-se TREBOLE BARRERA, J. A Bíblia Judaica e a Bíblia Cristã. Vozes, 1995 e MANNUCCI, V. Bíblia, Palavra de Deus. Paulinas, 1986 (N.T.).

Nenhum comentário: