sexta-feira, 1 de julho de 2011

Os Livros Apócrifos - parte I

SANTOS OTERO, Aurélio de. Los Evangelios Apocrifos – colleción de textos griegos y latinos, versión crítica, estúdios introductorios, comentários e ilustraciones. BAC. Madrid, 1956.
Tradução: Prof. Altamir Andrade

PARTE I

Introdução Geral

Apócrifos, no sentido etimológico da palavra, significa "coisa escondida, oculta". Este termo servia, na antiguidade, para designar os livros que se destinavam exclusivamente ao uso privado dos adeptos de uma seita ou iniciados em algum mistério. Depois esta palavra veio a significar livro de origem duvidosa, cuja autenticidade se impugnava.

Entre os cristãos se designam com este nome a certos escritos cujo autor era desconhecido e que desenvolviam temas ambíguos. Se bem que se apresentavam com o caráter de sagrados. Por esta razão, o termo apócrifo veio com o tempo a significar suspeito de heresia ou, em geral, pouco recomendável.

Apócrifos do Novo Testamento

A noção de apócrifos neotestamentário é difícil de precisar por se ter dado a este termo um significado muito elástico no decorrer dos tempos, colocando debaixo de sua sombra uma multiplicidade de escritos muito diversos entre si.

Segundo Amann (Apocryphes du NT.: SupDBi I, (1928) col.460ss), diremos que esta noção está intimamente ligada ao conceito de cânon das Sagradas Escrituras. Assim podemos incluir na citada categoria todos os escritos que, desenvolvendo temas análogos aos dos livros canônicos do Novo Testamento, pretendem de forma mais ou menos velada, buscar para si o caráter de sagrados e equiparar-se aos que a Igreja tem como inspirados, sem que, apesar de tudo,sejam recebidos oficialmente por ela no cânon.

Consta-nos, com efeito, pelo testemunho de São Lucas (1,1) que, já desde o princípio, muitos empreenderam o trabalho de coordenar a narração das coisas que tiveram lugar no tempo de Jesus. Orígenes (253-54),quando comentava esta passagem, distinguia, já, ao lado dos quatro evangelhos inspirados e recebidos como tais pela Igreja, outros muitos "compostos por aqueles que se puseram a escrever evangelhos sem estar investidos da graça do Espírito Santo" (Hom. In Lc I: PG 13,1801), e que, portanto, estavam destituídos de toda autoridade. Segundo ele, tais livros estavam, sobretudo, em poder dos hereges.

Tal fato havia sido, já, assinalado "data ocasione", por outros escritores mais antigos, como Santo Irineu (h.202- Adv. Haeres.III.II,8:PG 7,885) e Clemente de Alexandria (autor de 215 - Strom.III 13: PG 8,1194), os quais, contudo, não mostravam tanto rigor contra esta literatura acanônica.

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