domingo, 9 de janeiro de 2011

O CULTO OCULTO A DEUS - Parte III



Texto gentilmente cedido a Meus Rascunhus por Lúcio Marques


Os aviões também quando erguidos do solo para os turistas dominicais de aeroporto, mais parecem querubins, potestades, serafims, seres angelicais, afinal não terão de viajar neles. Anjos argênteos induzem a paraísos sonhados..

E fazem-no bem, pois mesmo se o cenário externo às janelinhas as nuvens mais pareçam asas de anjo flutuantes, por dentro deles o aperto será tão grande que só a imaginação tendo asas isso poderá fazer o trajeto aéreo ser exatamente uma boa viagem. Ademais a indústria aeronáutica inventou ainda aquelas tais bandejas que despencam é no nosso colo advindas do assento dianteiro reclinável só para piorar ainda mais a coisa, e isso serve para sermos servidos com um alimento insosso, morno e inominável ainda que a ementa dê-lhe nomes franceses, pomposos. Todavia isso é coisa rara hoje em dia, em geral são servidas barrinhas de cereais ou cookies nada generosos por atendentes hostis que se sorriem simulam é o brilho metálico e frio da aeronave lá fora, refletem, assim sobre si.

Penso que agencias de viagens deveriam reconduzir as suas práticas e não mais perguntarem o para onde se vai, mas sim o onde estaria o nosso Deus, que iríamos encontrar. Ou para onde o levamos. Em tempos remotos fazia-se peregrinatio, jornadas pelos campos, per agros, para se chegar ao nicho sagrado, e se o destino era Roma, fazia-se romaria. Eram empreitadas longas, de sincera contrição, humildade, perseverança, um desafio que era compensado com o poder-se alcançar o sitio almejado num estado d’alma compensatório. Hoje vai-se aqui ou ali mas vai-se e volta-se sem Deus, sem norteamento, só atordoamento.

Está faltando o sagrado, um encontro com o divino, viaja-se para um não gostar de lugar algum, todos parecendo cidadãos do mundo e no entanto estranhos a este, sempre. Mônadas de estranhamentos flutuam sem ruáhs. A ponto de se uma bagagem se perde perde-se o EU! O nada é o souvenir de viagem que se traz no âmago, já a bagagem é o tudo que se trouxe de fato, via de regra com aquisições que não terão mesmo serventia alguma.

Mas estar à mercê dessas engenhocas aladas decerto invoca sempre ao sagrado.
Num avião o céu é de vidro, frágil feito a vida, os motores pulsam a favor da consumação do tempo e da história do homem, são relógios escatológicos precisos, e ainda assim são passiveis de falha humana, ou se calhar da própria maquina. Pégasos falhos, bem o sabemos.

Continua

Um comentário:

Anônimo disse...

ze claudio - anonimo - TECLADO DESCONFIGURADO

GOSTARIA DE PERGUNTAR A UM NORDESTINO QUE VEIO DE SAO PAULO NUM PAU-DE-ARARA, OU NUM ONIBUS, NUMA VIAGEM DE 72 HORAS:

VOCE QUER IR DE AVIAO, NO MAXIMO 3 A 4 HORAS, NO AR CONDICIONADO, COM SERVICO DE BORDO?
( AFINAL MELHOR CEREAIS DO QUE DOCES QUE ENGORDAM )

A EVOLUCAO MELHORA A VIDA DO SER HUMANO. COM CERTEZA, HOJE, DEUS PERMITIRA MOISES LEVAR O SE POVO DE AVIAO.

SE O AVIAO FOI INVENTADO, FOI POR PERMISSAO DIVINA.

ESSA NOSTALGIA DE POVO DO DESERTO, E' ANTIQUADA, OBSOLETA E DECADENTE.

AFINAL, ATE' O PAPA TEM AVIAO PARTICULAR!