sábado, 8 de janeiro de 2011

O CULTO OCULTO A DEUS - Parte II


Texto gentilmente cedido a Meus Rascunhus por Lúcio Marques


Enquanto isso os aviões que ainda repousam nos seus areópagos, ao ar livre, não exprimem nenhum artifício oratório, parecem não quererem convencer ninguém daquilo que não sejam a mais do que sejam, ou seja: naves de argonautas, no caso as empresas aéreas, na busca do velocino de ouro, o dinheiro dos passageiros.

Aviões só remetem explicitamente a Deus em desastres aéreos. O clamor:do espanto: Oh! Meu Deus! Ao que parece sim, pois os aeroportos ainda que lidem com o temor humano da morte não parecem dispor ainda de um espaço para o sagrado nos seus interiores. Mas devo dizer que Deus é ali invocado tanto quanto o é nas igrejas. Explico-me:

Férias novamente, aqui estou novamente. O aeródromo que inaugurei um dia nos fins dos anos 70 cresceu, mudou de nome, duplicou-se. Vejo que Justificarpermanece equivocado em umas tantas questões e até piorou em umas outras tantas.

A capela ecumênica, por exemplo, permanece sem o Logos, suas diversas manifestações em diferentes culturas, não há comunicação, é só uma mesa nua num cantinho algo claustrofóbico de pouca luz, e de nada serve a aqueles que tem medo de voar e precisam dirigir-se ali ao sagrado invocando ao seu Deus nos seus augúrios e anseios de uma boa viagem e certamente ali pedem que afinal o avião não caia, nem na terra nem nas mãos de terroristas. Aliás, nesse particular a checagem dos passageiros anda mesmo a sugerir o juízo final, é que os checadores olham para qualquer um como se fosse um culpado encontrado, e os rostos dos checados todos parecem sugerir um quase desespero pelas suas inúmeras mea culpas reveladas ali por aquela parafernália high tech de segurança, pálidos de serem flagrados pelas suas faltas.

Pelas cadeiras no saguão vê-se gente desfolhando jornais e revistas como se fossem masbaras, rosários, kombolos,são dedos nervosos. Esqueceram-se de Deus? Será? Não há troca de olhares, contato, mas um desconsolo de Sisifo ou de um Prometeu é comum nos semblantes. Por isso as medusas da publicidade, acenam para o cessar do medo num convite a um estupor de consumo bacante. Observo isso ao modo de Sócrates: Estou só olhando quanta coisa não preciso para ser feliz!

Continua

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