quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Os Livros da História de Israel: temores e esperanças que vêm do passado

Josué – Juízes – Rute – 1 e 2 Samuel – 1 e 2 Reis – 1 e 2 Crônicas – Esdras – Neemias – Tobias – Judite – Ester – 1 e 2 Macabeus 

Um primeiro e necessário exercício é investigar o que se pensa quando se diz em histórico ou história. Quando se olha para Bíblia, “nenhum dos conceitos da história propostos pelos estudiosos modernos pode ser aplicado”. Esse elemento gera um certo desconforto ao leitor acostumado com a precisão de fatos históricos. Outro ponto a ser considerado, ainda, é que não se trata de uma memória geral, mas significativa apenas para um grupo unitário e que adquire certa continuidade. 

Algumas formas de textos do Antigo Oriente próximo: Mesopotâmia (documentos econômicos e administrativos, coleções jurídicas e documentos civis, cartas, mitos, contos e romances, listas, inscrições que relatam feitos de reis [construções e guerras], anais, registros estatísticos anuais reunidos em crônicas [relatórios sumários de reinos e períodos mais longos]); Egito (inscrições reais, anais, mitos, contos e romances, inscrições biográficas de cidadãos particulares, geralmente homens que tenham desempenhado cargo político ou sacerdotal). 

Israel, no entanto, ultrapassa estas civilizações em “consciência histórica” . Aqui entra o importante conceito de tradição oral. Ele é anterior ao escrito e podem ser reconhecidas, nas formas escritas, as formas originais que, em última análise, são orais. Importa lembrar que esta forma oral é eminentemente popular (livre, autônoma, viva, interpretativa, criativa, pode omitir, alterar, acrescentar). 

 Os profetas são divididos em duas categorias: anteriores e posteriores. Isso significa ordem de coleção de escritos. Os primeiros, pelo séc. V aC, os outros pelos fins do séc. IV aC. Os anteriores estão dentro do corpus dos livros históricos: Josué a Reis (sem Rute). Esta sequência é chamada, também, de “historiografia deuteronomista”. Seu principal enfoque é a atuação e mensagem dos profetas fazendo com que tenham o primeiro plano das narrativas e atenção deste bloco. Nisso precedem os reis e chefes do povo (Dt 18,15). Os reis vêm em segundo lugar sob o protótipo de Davi (Dt 17,15). O terceiro foco é a terra (Dt 15,4-11) . 

A história deuteronomista se baseia nos princípios teológicos do Deuteronômio. As linhas gerais podem ser rapidamente esboçadas no que se segue : - história entendida como realização da palavra de Deus anunciada pelos profetas; - assim, é o cumprimento das palavras de Moisés; - a questão: Israel é ainda povo de Deus?; É difícil, no entanto, delinear o que esta obra quer dizer aos seus contemporâneos no séc. VI. Sobretudo aos exilados sem terra e sem rei. Parece que aquilo que para o Dt era apenas possibilidade, agora é fato consumado. E isso parece dever ser interpretado como juízo divino. 

Veja: 

MAcKENZIE, J. L. Dicionário Bíblico, p. 422.
KONINGS, J. “A Historiografia de Israel nos livros históricos”. ESTUDOS BÍBLICOS, n. 71 (2001). BRUEGGEMANN, W. – WOLFF, H. W. O Dinamismo das Tradições do Antigo Testamento. São Paulo: Paulinas, 1984.

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