terça-feira, 4 de outubro de 2011

A Liberdade nos Escritos Paulinos


A Liberdade com relação a Cristo, o Critério.


“O homem que quiser compreender-se a si mesmo profundamente – não apenas segundo imediatos, parciais, não raro superficiais e até mesmo só aparentes critérios e medidas do próprio ser – deve, com a sua inquietude, incerteza e também fraqueza e pecaminosidade, com sua vida e com sua morte, aproximar-se de Cristo."

Em Jesus Cristo Deus faz um apelo ao ser humano para que este entre no Reino. Deus respeita, no entanto, a liberdade humana. Essa liberdade diz respeito, profundamente, à pessoa humana, ao seu todo, àquilo que a constitui como ser entregue a si mesmo. Ela é processual no sentido de que é constante re-descoberta de si mesma e que, aos poucos, vai revelando a própria totalidade do humano.


A iniciativa de Deus é primeira na salvação. É Deus que se auto-doa na criação e que envia o Filho e o Espírito para reconduzirem a humanidade ao caminho do amor e da verdade. Vale repetir, porém, que respeita a liberdade humana e é sempre convite para a mudança. 2] A ressurreição de Jesus é o cume e a direção da fé humana que, apoiada nela, tem condições de esperar com mais segurança ainda as realizações das promessas divinas já indicadas na criação.


É nesta esperança que se localiza o ser humano, ou seja, “fortes na fé, aguardamos a esperança bem aventurada e a manifestação do grande Deus e Salvador nosso Jesus Cristo que transfigurará nosso corpo abatido, para que seja conforme ao seu corpo glorioso.” O tempo atual se constitui como um ainda não e se alicerça na base fundamental da esperança que se abre de Deus na direção do ser humano e que conduz o ser humano na direção de Deus.


Na presença de Jesus, o ser humano re-descobre-se a si mesmo e assim se torna urgente até sua própria resposta. Se antes se perguntava pelo sentido próprio da vida, a presença de Jesus lança nova luz sobre suas questões e, de uma forma ou de outra, o convida a se decidir. Cristo é, então, o modelo da nova humanidade.O ser humano, quando interpelado por Deus em Jesus Cristo, tem que se configurar a esta nova perspectiva de um modo também novo. Para isso, ele não terá que deixar de ser homem ou mulher, de ser histórico, de ter projetos, desejos e anseios. Ele terá, contudo, que se colocar frente à proposta de Jesus com abertura de coração para assimilar este projeto que não lhe corta a liberdade mas que o liberta para ela.

Jesus Cristo se configura como a forma pela qual o ser humano tem que se espelhar para assim estabelecer as suas relações no mundo. Desta maneira é o critério. A pergunta que daí decorre, no entanto, é a seguinte: de quê modo Cristo é o critério? Paulo a responde: na medida em que se coloca a vida de Cristo e sua morte redentora como sinal e marca profunda de um ego-centrismo para a humanidade, ou seja, morte e ressurreição de Cristo para a humanidade é convite profundo – e não só convite como exemplo – para a mudança radical do ser humano e sua re-leitura da vida e do seu contexto. Deriva-se daí todo o modo de ser do homem no mundo em relação a si mesmo e aos seus semelhantes. (Cf. JOÃO PAULO II. Carta encíclica Redemptoris Hominis. Petrópolis: Vozes, 1986 , n.10.)

São João assinala que é necessário, para se salvar, um nascer de novo. Este nascimento, no entanto, tem que ser do alto (3,3-6); é Deus quem nos possibilita isso (6,44s) Ele nos faz unidos ao Cristo, o Critério, garantindo a nossa salvação (15,1-6). Também Paulo acentua esta perspectiva, ou seja, ele diz que o Espírito vive em nós garantindo nossa santificação, a nossa adesão e união a Cristo, por isso a nossa ressurreição e, assim, a nossa salvação (Rom 8).” (Cf. VATICANO II. Constituição Dogmática Lumen Gentium, sobre a Igreja, n.48.)

 “As palavras de Paulo em Gl 5,1.13, constituem o núcleo central da epístola . É nesta epístola que Paulo condensou toda a sua pregação. A vocação para a Liberdade é a novidade do evangelho de Cristo, a conclusão final de toda a história bíblica, o fundamento da nova existência para a humanidade toda.” (Cf. COMBLIM, J. Vocação para a Liberdade. Paulus, São Paulo, 1998, p. 43).

Para Paulo, a morte de Cristo é a máxima revelação da sua humanidade. Isso é preciso ser entendido, no entanto, tendo diante dos olhos a vida redentora de Cristo que é critério para a imitação dos cristãos. “Cristo morreu por todos a fim de que aqueles que vivem não mais vivam para si mesmos.” ( 2Cor 5,15) A partir desta afirmação, podemos estender e abrir o leque do significado profundo do autodoar-se de Jesus em favor da humanidade. A humanidade autêntica é, então, aquela que se faz abertura, que se faz doação mesmo que isso implique na radicalidade do dar a vida. (Cf. MURPH – O’ CONNOR, J. OP. A Antropologia Pastoral de Paulo. São Paulo, Paulinas, 1994, p. 45).

Um comentário:

Malu disse...

Seu espaço também é muito belo! Para mim a história de Paulo de Tarso e de Lucas são muito belas.
Agradeço sua visita e sempre que der passarei por aqui.
Grande abraço