quarta-feira, 13 de junho de 2012

Os Escritos de São João


pelos discentes do Curso de Cartas Católicas

Referência: VV. AA. Os Escritos de São João e a Epístola aos Hebreus. São Paulo: Paulinas, 1988, pp. 195-227.

Os exegetas muitas vezes oscilaram entre duas hipóteses em relação ao pensamento joanino, ora pensando que este derivaria da mística helênica ou ora da tradição bíblica e do judaísmo. Este autor, tão enraizado numa teologia judaico-cristã também assimilou as noções do ambiente onde evangelizava; sabemos que a fronteira entre os dois mundos não era tão estanque.
Entretanto, sem dúvida, João se opunha àquela interpretação vigente, que afirmava um Cristo que não teria amado, nem sofrido, nem conhecido a morte. João usa o símbolo da luz para falar sobre a divindade e usa outras expressões do pensamento helênico, mas emprega as mesmas palavras para retratar sobre Deus, fazendo uso do verbo ‘conhecer’ como substituto de ‘crer’.
Há também em João algumas concepções apocalípticas do judaísmo, mostrando que o combate final já está encetado na Igreja (nas epístolas). Ele fala de anticristo, falsos profetas e da última hora, que demonstram sua visão a respeito do fim da história humana e que será retomada em várias páginas do Novo Testamento.

O que importa-nos ressaltar é que, para João, crer não consiste apenas em assentimento do espírito, mas é ato de confiança e princípio de obediência. A Igreja e sua vida comunitária, a necessidade do testemunho, são temas que perpassam as epístolas.
Sobre a autoria das três epístolas, há um consenso de que são de uma mesma autoria. Basta observar a semelhança de estilo e de pensamento que aproxima a primeira da segunda, e constatar, em seguida, que a segunda e a terceira são irmãs gêmeas, ambas expedidas pelo Ancião.

Afinal, que encobre o título de Ancião? Poderia simplesmente designar homem idoso. Mas, no Novo Testamento, tem quase sempre sentido técnico, dentro do linguajar eclesiástico, e é este o sentido que aqui deve prevalecer. Trata-se de ministério. (1Jo 1,1 fala de ‘nós’ – ele fala em nome da comunidade joanina na qual o autor está inserido).

Quanto às semelhanças das epístolas com o Evangelho de João, são suficientemente explicáveis por uma escola joanina que cultivava de uma a outra pessoa, de uma a outra geração, os mesmos temas teológicos e o mesmo estilo de escritura. Não é, pois, necessário identificar o autor das epístolas com aquele (ou com um daqueles) do Evangelho (p.208).

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