terça-feira, 10 de julho de 2012

Teologia bíblica: algumas reflexões (final)



Outro elemento que sugere uma detida leitura do texto bíblico é a vastidão dos não poucos e controversos gêneros literários que ele abriga. Pisamos um terreno onde se acusa uma formação bem pensada, propositada e medida na sua grande parte. Para citar alguns apontamos para a novela (como a história de José do Egito ou o livro do profeta Jonas); verdadeiras obras de ficção (Livro de Jó); jograis (Cântico dos Cânticos); parábolas e alegorias, narrativas longas e bem “fabricadas” que não variam na sua essência revelando o gosto do autor por formas bem cuidadas.

Em nível desta relação Bíblia e literatura, não raro as tendências se desdobram no estudo sócio-literário ou sócio-político da narrativa bíblica. Todos com vistas a uma melhor compreensão do texto e, quase sempre numa abordagem teológica. Por outro lado, embora existam alguns, é mais difícil uma visada do elemento literário da Bíblia com um olhar detido no seu funcionamento e no intrincado de suas relações. Grandes nomes como Robert Alter, Frank Kermode, Daniel Marguerat, Paul Ricoeur e outros que se debruçaram e se debruçam sobre a análise narrativa são importantes referências para o que agora procuro refletir. Assim, de acordo com Alter (ALTER, 2007, p.78),

A Bíblia defronta-nos com uma literatura cujo impulso inicial parece meramente educativo ou informativo, sem lugar para o simples deleite. Se, no entanto, não nos dermos conta de que os criadores da narrativa bíblica eram escritores que, como quaisquer outros, entregavam-se à exploração dos recursos formais ou imaginativos de seu meio ficcional – às vezes captando a plenitude de seu tema em meio ao próprio jogo da exploração -, perderemos grande parte do que as histórias bíblicas tem a nos dizer.


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