segunda-feira, 2 de julho de 2012

Teologia bíblica: algumas reflexões II



É louvável o trabalho de Raymond Brown que adentrou sendas importantes da discussão sobre estes campos melindrosos (citarei na bibliografia). Se se olha com mais atenção, ainda, se verá o trabalho que se tem em tentativas de harmonizar Mateus e Lucas em detalhes tão difíceis. Para o pesquisador entra, aqui, um elemento importantíssimo: a audiência destes textos. Para quem estão escrevendo? Quais as preocupações de tais comunidades de fé? Quais os problemas que estão sendo enfrentados? Já há muitos anos a teoria das duas fontes tem sido a mais usada para a análise do problema sinóptico (relação literária entre Mateus-Marcos-Lucas) não como única resposta mas como uma das saídas mais plausíveis. Assim, Marcos continua figurando como o mais antigo dos três sendo seguido de perto por Mateus e também usado por Lucas (THEISSEN, 2007).

Toco aqui, uma outra questão que sempre me intriga: a pressa na atualização do texto bíblico sem levar em conta sua primeira recepção. Não raro atropelamos o texto e desconsideramos que ele mesmo é um outro rosto que merece respeito e um olhar desde seu primeiro lugar. Com isso me lembro de Massimo Grilli que tão brilhantemente acentua: “na presença do texto bíblico temos que respeitar a alteridade. A hermenêutica se converte, então, em um descobrimento difícil, em uma aproximação trabalhosa a um ‘rosto’ que primariamente não nos pertence e de que não podemos dispor” (citarei na bibliografia).

Continua ...


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