terça-feira, 12 de janeiro de 2010

O jardim das delícias



Esta obra é um tríptico. Fiz um recorte do primeiro quadro para tecer algumas considerações. Em todos os três, no entanto, é pródiga a presença dos animais em número e em formas. O interessante da cena do jardim é, exatamente, a ausência da serpente e a presença de Deus representado como Jesus Cristo. O grande número de árvores e frutos chama logo a atenção bem como a presença de animais exóticos e domésticos. No primeiro plano podem ser notados alguns animais que devoram outros. Apesar da aparente ordem no mundo humano, a fauna não parece indicar a mesma coisa.

Enquanto homem e mulher são pintados com cores muito claras os animais recebem tons bastante escuros. Isso não deixa de gerar, no observador, certo estranhamento. Outro contraste é o modo como Deus está (excessivamente?) vestido e os seres humanos completamente nus. Nas duas obras anteriores (veja aqui e aqui)a serpente está sempre próxima da mulher, nesta última é Deus quem se encontra nesta posição. Cada olhar, no entanto, se dirige para uma direção diferente: o do homem para Deus, o da mulher para o chão (ou de olhos fechados) e o de Deus para fora da tela.

É interessante como os animais parecem se comportar completamente alheios aos humanos com “preocupações” muito próprias. Suas atitudes giram em torno do lago de águas escuras onde retiram os alimentos ou de onde vivem ou saem. De qualquer maneira, a cena parece completamente livre em relação ao texto de Gênesis trazendo algo de muito particular na sua (possível) interpretação do relato.

Pintura: Jeroen van Aeken (pseudônimo de Hieronymus Bosch), Holanda (1450-1516).

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