domingo, 17 de abril de 2011

A Regra de São Bento



A regra de São Bento é um escrito jurídico. São Bento quer estabelecer limites, instituir direitos. Ela é a cristianização da vida, é o batismo vivido até as últimas consequências. A regra é um patrimônio da humanidade, ela não pertence a alguém ou a uma religião cristã, mas serve para todas as religiões cristãs. É uma regra de 73 capítulos. Os sete primeiros são teológicos por excelência. São Bento parte do pressuposto de que todos nós temos limites. Ao ter noção de que se desconhece.

São Bento se insere em duas tradições: a vertical (dos padres do deserto) e a horizontal (de Santo Agostinho). Ele usa Agostinho para modificar esta tradição vertical que é, talvez, pesada e pessimista, ou seja, a alma tem que sair do corpo; o que é carnal tem que ser castigado em favor da alma. Os padres do deserto procuravam a perfeição; São Bento não quer isso, quer que o homem responda naquilo que pode e com aquilo que sabe estabelecendo limites, pois Deus ama o homem assim como ele é. Esta é a humildade do publicano (cf, cap. 7).

O coração da regra é, exatamente, este cap. 7. O homem, para São Bento, é o homem de carne e osso. É a espiritualidade da absoluta humanidade (humana conditio). O caminho beneditino abre espaço para que o homem que procura Deus o encontre de seu modo. O indivíduo, no mosteiro, é ele como é, ou seja, com suas dificuldades, valores, defeitos e angústias.

São Bento entende que a participação na morte de Cristo se constitui na atitude fundamental da obediência. Não é, porém, uma obediência de fazer o que o outro diz, é uma obediência do coração. O mistério de Cristo é a obediência até a morte. Para ser obediente e ser humilde, o monge tem que ter a consciência de que é pecador. O amor com que se ama a Deus é o mesmo com que se ama o próprio irmão; não existem dois amores. A experiência de Deus é, antes de tudo, e m São Bento, experiência da vida.

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