quinta-feira, 16 de junho de 2011

O Apocalipse


Conteúdo Doutrinal do Apocalipse

SEBASTIÁN BARTINA, S.J. “Apocalipsis de San Juan: traducción y comentario” in BAC. Nuevo Testamento III, Madrid, 1962.
Tradução: Altamir Andrade

É útil um esboço do conteúdo teológico do Apocalipse. Limita-se a insinuar pontos que orientem em sua compreensão, se bem que são propriamente consequência e fruto de sua reta interpretação. Há que se afirmar que o Apocalipse é um livro eminentemente cristão, cujos ensinamentos não somente estão em plena consonância com os dados dos demais livros bíblicos, especialmente os neotestamentários, senão que em muitos pontos os elucidam e completam.

A Divindade: em momentos em que os imperadores buscavam para si honras divinas, convinha sublinhar a transcendência de Deus. Aparece sua supremacia como senhor do universo e da história, sua dignidade inacessível, sua potência e sua majestade (4,2; 6,10; 11,4.15; 15,3). É o mesmo Deus do AT, com seus títulos e perfeições (1,4.8; 16,11). Apresenta-se, em relevo, sua paternidade e amor aos homens e sua suave providência.

Trindade: na síntese doutrinal do livro, iluminada por outros dados da revelação do NT, é fora de dúvida a doutrina trinitária. Deus, o Pai, a quem se dirigem as orações, com suas diversas apropriações, é um dado presente em todo o livro. Jesus Cristo é o Filho de Deus (2,18) e o Verbo de Deus (19,13). O Espírito Santo exorta às igrejas (2-3), une sua voz à da igreja para implorar a volta de Cristo (22,17; Cf. Rm 8,26), está indicado na fórmula trinitária do início (1,4-5) e muito provavelmente em outros símbolos.

Cristologia: uma das notas mais características do Apocalipse é a esplêndida descrição do ser e do agir de Jesus Cristo. Ele preenche todo o livro. Como homem foi crucificado (11,8), é o cordeiro imolado, ressuscitado, com as feridas da luta; leva por nome Filho do Homem, mas tem, contudo, títulos divinos (1,18; 3,7; 22,13) e prerrogativas divinas, porque ocupa o trono da Divindade (22,1-3); é digno de adoração (5,13); lê os corações (2,23); é adorado pela criação inteira (5,13) e é Senhor da história (5,5; 6,1s). É fonte de bens espirituais para os fiéis (3,18).

Soteriologia: Cristo é o agente da salvação (1,5; 5,9; 7,14; 12,11), a qual se atribui por três vezes a Deus, em oposição aos falsos salvadores imperiais (7,10; 12,10; 19,1). É necessária a cooperação humana (7,14; 12,11) e se sublinha a necessidade das obras (20,12; 14,13).

Eclesiologia: as diferentes igrejas locais (2-3) formam uma única igreja, que é a esposa do Cordeiro. É chamada Jerusalém celeste. São descritas suas prerrogativas, sua indefectibilidade e seu ecumenismo. Os fiéis têm uma dignidade como de reis e sacerdotes (1,6). Faz-se alusão, provavelmente, à hierarquia episcopal (1,20) e certamente à dignidade dos apóstolos do Cordeiro (21,14). A existência de profetas é indicada várias vezes (22,9; cf. 10,7; 16,6; 18,20.24).

Um comentário:

jc disse...

Teria o profeta Isaías, falado de Jesus quando fala da virgem dando a luz a um menino.
Pensei que não, porém, a fala dele se remete ao apocalipse.
Pois fala do dia do juízo
??????????