sexta-feira, 16 de julho de 2010

Foi assim


Ela me olhou assim, de cima a baixo, com aquele olhar que a gente fica doido pra achar um espelho pra ver se tem algo errado com a boca, alguma coisa no dente ou um fio de linha no cabelo. Me pediu para tirar a camisa, mas aquele ar condicionado tava matando (aliás nunca sei se é ar condicionado ou acondicionado, alguém queira me explicar!). Com muito custo e com o pouco daquele olhar tirei a camisa para satisfazê-la. Depois de algum tempo com a camisa nas mãos, olhou de várias formas para mim e para ela. Eu ali, nu, da cintura para cima, esperava o próximo passo, dominado por aquela que era, agora, mais uma mulher em minha vida. Haviam me dito que era a melhor, que era a que mais bem sabia fazer aquele tipo de coisa. Foi por isso que fui confiante, na esperança de que (para mim também) desse tudo certo. Na semana seguinte, seria a festa e eu precisava muito saber se ela aceitaria fazer aquilo por mim. Depois da camisa pediu-me que tirasse a calça... Eu não sei se sentia mais frio por causa do ar ou por causa da apreensão, mas consegui tirar. Ela não parecia se importar comigo, o que me incomodou um pouco, confesso. Sempre achei que pudesse ser atraente, que conquistasse olhares; mas para ela, nada disso parecia valer. Depois de algum tempo dentro daquele biombo, ela me entregou a camisa e a calça, dizendo: “O senhor passe aqui na segunda-feira que seu terno vai estar pronto. O preço a gente combina depois, já que a medida de seu corpo está dentro do padrão mais normal”. Agradeci a costureira e saí!

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