quarta-feira, 29 de julho de 2009

Presságio: você viu?



Esta é uma das poucas vezes que comento um filme e até gostaria de fazer mais isso. O que acontece é que, normalmente, a crítica nos inibe e parece que temos de gostar de tudo o que a crítica aprova e desconfiar daquilo que gostamos se não foi bem aprovado. O fato é que o sentido estético da obra cinematográfica não é o mesmo para todo mundo e isso me autoriza a dizer não só se gostei ou não como a avaliar os pontos que achei negativos.

Um exemplo: “Onde os fracos não tem vez” foi sucesso de crítica e indicações para que todos vissem. Detestei! Fiquei, ao fim do filme, me sentindo estranho como se só eu não tivesse entendido, mas parece que não havia nada para entender mesmo! Pois bem, não é desse filme que quero falar. Ontem vi “Presságio” (título original: Knowing). Gosto demais dos modernos efeitos especiais assim como gosto do Nicolas Cage (muita gente detesta ele). Achei, contudo muito chato ficar 120 minutos vendo-o com aquela cara de espanto correndo de um lado a outro com questões pessoais (esposa, filho e pai) em nível religioso. Algumas sequências boas (e achei poucas), mas um tanto duvidosas (aquela do metrô: já vi efeitos melhores). Tudo isso sem falar no fundo apocalíptico (quem dera se fosse só fundo).

Sobre este último, baseado no Livro de Ezequiel (cap. 1) e com algumas analogias ao Apocalipse cristão de João, no sentido mais raso do que se entende apocalipse: fim do mundo caótico e em fogo com eleitos e previsões. Esta é, infelizmente, a principal interpretação de uma leitura desorientada e sem bases sólidas. No começo do filme até achei legal, mas depois fui ficando desinteressado. Os clichês de sempre que nortearam “Guerra dos mundos” e “O dia em que a terra parou”: um problema pessoal a ser resolvido, um homem que salva o mundo e uma espécie de resgate de alguns como na arca de Noé.

Quem ver os extras do DVD observará alguns “teólogos” dando algumas interpretações “rasas” sobre o Apocalipse e mesmo “antropólogos” e “cientistas sociais” dizendo três ou quatro frases sobre o impacto do pensamento do fim sobre as pessoas. Nem o livro de Daniel foi citado e este sim é, no Antigo Testamento, o grande Apocalipse e não Ezequiel. Talvez me diriam: não era uma aula de teologia! Tudo bem, concordo, mas sejamos mais atentos e mais convincentes!

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