sábado, 18 de junho de 2011

O lado da escrita



Para Foucault, na sua primeira forma dada aos homens, ao que ele alude ser antes de Babel e cita como exemplo a nomeação dos animais, a linguagem era um sinal das coisas absolutamente certo. Dessa forma seria possível ver em cada ser o que ele mesmo transparentemente inspirava: a força no leão, a realeza na águia, a influencia dos planetas sobre os homens. No entanto, essa transparência foi perdida em Babel e somente foi conservado um vestígio dela na língua hebraica. O autor diz que é possível revelar isso em alguns casos particulares, como por exemplo: cavalo (sus: derivado de hasas, educar-se) já que dos animais de quatro patas o cavalo é o único altivo e bravo. Depois, a cegonha (chasida: bondosa, caridosa, dotada de piedade) por causa de sua bondade com seus pais.

Escrevem da direita para a esquerda: hebreus, cananeus, samaritanos, caldeus, sírios, egípcios, púnicos, persas, tártaros e outros. Eles seguem o curso do primeiro céu, aproximando-se da unidade, como diria Aristóteles. Escrevem da esquerda para a direita: gregos, latinos, maronitas e todos os europeus. É o movimento do segundo céu seguindo o curso dos planetas. Escrevem de cima para baixo: chineses, indianos e japoneses. É a ordem da natureza que coloca a cabeça do homem acima e os pés abaixo. Os mexicanos escrevem de baixo para cima ou em linhas espirais como o percurso do sol no zodíaco.

FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas. Lisboa: Portugália Editora, 1966.

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