sexta-feira, 22 de junho de 2012

Dois Joões


Perspectiva teológico-literária


No Novo Testamento temos, na verdade, dois “Joões”. O primeiro deles é o chamado Batista, filho de Isabel e Zacarias cuja história é contada nos primeiros capítulos do Evangelho de Lucas. Sua principal atuação consiste na chamada preparação do Messias ou de Jesus (João 1). É chamado também, por isso, de precursor. Prega um batismo de conversão dos pecados e atua às margens do Rio Jordão. As pessoas da região vão até ele para confessarem seus pecados. Na história do evangelho, seria primo (em segundo grau) de Jesus mas não se sabe se atuaram juntos. Seria 6 meses mais velho que Jesus e é considerado por este como o verdadeiro e o maior dos profetas (Mateus 11). Foi morto decapitado por Herodes e a história é contada em Marcos 6.

O segundo João é o que a tradição chama de Evangelista. Este seria discípulo de Jesus e era filho de Zebedeu. Os três primeiros evangelhos e Atos o mencionam. Sobre o quarto evangelho, não se sabe ao certo se era ele o indicado como "discípulo que Jesus amava" já que em momento algum do evangelho isso fica claro. Nas cartas paulinas, só aparece em Gálatas 2,9 junto com Pedro e Tiago. O relato do Evangelho de Marcos, no capítulo primeiro, diz do seu chamado às margens do Lago de Genesaré, hoje norte de Israel. Sua figura sempre foi muito discreta nos relatos e é um dos doze discípulos de Jesus (note que o outro João não era discípulo, mas um mestre também). Pois bem, parece que o quarto evangelho, que leva seu nome, é atribuído a ele que o teria escrito já em idade avançada (anos 90-95). Isso é, contudo, muito discutido e não chegamos, na exegese, a um consenso. Se assim o for, o problema se agrava para saber se ele escreveu, também, o Apocalipse. Ora, literariamente é muito difícil aceitar estas teses (João autor de fato). Ele pode estar na base da tradição, mas nada teria escrito (quem sabe ditado?). Hoje podemos perceber “várias mãos” na composição do evangelho, das suas 3 cartas e do Apocalipse. É por isso que se fala de uma literatura joanina no Novo Testamento.

O nome é hebraico: Yohanan (Deus é benigno); o nome em grego é Ioannes. Existem outros joões no Novo Testamento, mas estes são os principais, sem dúvida.

Perspectiva popular

As festas juninas estão ligadas ao primeiro João, o Batista. O seu nascimento, segundo a tradição, se deu em 24 de junho. Parece (não posso afirmar) que as festas eram chamadas joaninas, depois viraram juninas de modo que todos pensam que é por causa do mês e se esquecem do João.


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