quarta-feira, 1 de abril de 2009

O Inimigo de Deus


'Inimigo número 1' de Deus na Bíblia vira vilão em filme de ficção científica

Produção do canal Sci-Fi transforma deus Baal em ameaça climática. No antigo Oriente Próximo, divindade era considerada benigna.

por Reinaldo José Lopes Do G1, em São Paulo


O arqui-inimigo de Deus na Bíblia é o mais novo vilão da ficção científica -- e não estamos falando do Diabo. Uma produção do canal de TV a cabo Sci-Fi, que estreia nesta terça (7), às 23h, transformou o antigo deus cananeu Baal, cujo culto idolátrico seduzia os israelitas no Antigo Testamento, no pivô de sua trama.

O filme "Ba'al: o deus da tempestade", que será exibido simultaneamente em vários países da América Latina, é um thriller arqueológico no qual dois pesquisadores tentam recuperar amuletos místicos e evitar que a divindade -- a qual teria sido derrotada por seu pai -- recupere seus poderes e arrase o planeta com desastres climáticos.

Em entrevista coletiva por telefone, os protagonistas do filme -- o americano Jeremy London, que interpreta o arqueólogo Dr. Helm, e a canadense Stefanie von Pfetten, que faz a linguista Carol Gage -- dizem que a trama aborda apenas o lado mitológico de Baal, e não sua relação com os personagens bíblicos. "Essa fascinação com outros mundos é atemporal, sempre existiu e sempre vai existir", diz Von Pfetten. "A mitologia é sempre uma fonte de imaginação muito interessante, e é legal ver como os antigos mitos interagem com a história moderna", diz London.

Apesar das pesadas críticas ao culto a Baal feitas na Bíblia -- afinal, os israelitas, segundo a Lei de Moisés, deviam adorar apenas a Javé --, o deus não tinha nada de demoníaco, ao menos para seus adoradores. Baal era o deus da tempestade porque trazia a chuva para as terras secas do Oriente Próximo. Em vários mitos sobre ele desenterrados em antigas cidades da região, como Ugarit, Baal também tem um papel de organizador do Universo, derrotando em batalha deuses ligados ao caos primitivo, como Yam, senhor dos mares.

O consenso atual entre os estudiosos do texto bíblico também indica que o próprio culto ao Deus único israelita foi influenciado pela figura de Baal. Alguns paralelos importantes envolvem as chamadas teofanias (manifestações divinas) de Javé, nas quais ele é descrito cavalgando as nuvens de tempestade e derrotando o mar, igualzinho a Baal, assim como o lado guerreiro de Javé. Alguns salmos bíblicos parecem ser versões israelitas de antigos hinos em honra de Baal.

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