terça-feira, 1 de maio de 2012

Os Livros da História de Israel

Temores e esperanças que vêm do passado

Josué
Juízes
Rute
1 e 2 Samuel
1 e 2 Reis
1 e 2 Crônicas
Esdras
Neemias
Tobias
Judite
Ester
1 e 2 Macabeus

Um primeiro e necessário exercício é investigar o que se pensa quando se diz em histórico ou história. Quando se olha para Bíblia, “nenhum dos conceitos da história propostos pelos estudiosos modernos pode ser aplicado” . Este elemento gera um certo desconforto ao leitor acostumado com a precisão de fatos históricos. Outro ponto a ser considerado, ainda, é que não se trata de uma memória geral, mas significativa apenas para um grupo unitário e que adquire certa continuidade.

Algumas formas de textos do Antigo Oriente próximo: Mesopotâmia (documentos econômicos e administrativos, coleções jurídicas e documentos civis, cartas, mitos, contos e romances, listas, inscrições que relatam feitos de reis [construções e guerras], anais, registros estatísticos anuais reunidos em crônicas [relatórios sumários de reinos e períodos mais longos]); Egito (inscrições reais, anais, mitos, contos e romances, inscrições biográficas de cidadãos particulares, geralmente homens que tenham desempenhado cargo político ou sacerdotal) .

Israel, no entanto, ultrapassa estas civilizações em “consciência histórica”. Aqui entra o importante conceito de tradição oral. Ele é anterior ao escrito e podem ser reconhecidas, nas formas escritas, as formas originais que, em última análise, são orais. Importa lembrar que esta forma oral é eminentemente popular (livre, autônoma, viva, interpretativa, criativa, pode omitir, alterar, acrescentar).

Os profetas são divididos em duas categorias: anteriores e posteriores. Isso significa ordem de coleção de escritos. Os primeiros, pelo séc. V aC, os outros pelos fins do séc. IV aC. Os anteriores estão dentro do corpus dos livros históricos: Josué a Reis (sem Rute). Esta seqüência é chamada, também, de “historiografia deuteronomista”. Seu principal enfoque é a atuação e mensagem dos profetas fazendo com que tenham o primeiro plano das narrativas e atenção deste bloco. Nisso precedem os reis e chefes do povo (Dt 18,15). Os reis vêm em segundo lugar sob o protótipo de Davi (Dt 17,15). O terceiro foco é a terra (Dt 15,4-11) . A história deuteronomista se baseia nos princípios teológicos do Deuteronômio. As linhas gerais podem ser rapidamente esboçadas no que se segue :

- história entendida como realização da palavra de Deus anunciada pelos profetas;

- assim, é o cumprimento das palavras de Moisés;

- a questão: Israel é ainda povo de Deus?;

É difícil, no entanto, delinear o que esta obra quer dizer aos seus contemporâneos no séc. VI. Sobretudo aos exilados sem terra e sem rei. Parece que aquilo que para o Dt era apenas possibilidade, agora é fato consumado. E isso parece dever ser interpretado como juízo divino.

É bom ler:

MAcKENZIE, John. L. Dicionário Bíblico. São Paulo: Paulinas, 1984.

KONINGS, Johan. “A Historiografia de Israel nos livros históricos”. REVISTA ESTUDOS BÍBLICOS n. 71 (2001).

BRUEGGEMANN, Walter; WOLFF, Hans Walter. O Dinamismo das Tradições do Antigo Testamento.São Paulo: Paulinas, 1984.

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