quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O centro da cidade


Fui abordado na rua, recentemente, por uma pessoa que me perguntou: “Moço, onde é o centro da cidade?” Hesitei entre a resposta e a observação da pessoa que perguntava e depois sugeri que a rua paralela era considerada como o centro. Sublinho aqui o que chamo de “considerada”. Esta palavra não tem fronteiras definidas e se situa entre a certeza e o fugidio. Dizer de algo considerado não é fazer uma afirmação contundente mas é admitir que este algo “considerado” pode não sê-lo, também. Para os que vivemos nesta cidade, consideramos a rua Halfeld como centro, mas o que é o centro? O que gira em torno dela? Todas as atividades comerciais estão em torno dela? Todos os cidadãos (etimologicamente falando) tem acesso a ela? Tudo se resolve nela? Metade destas questões (se não todas) podem ter respostas negativas. Disso se depreende que o entorno do centro da cidade cada vez mais se desloca. Geograficamente isso é perceptível porque nem todas as ruas “desaguam” nela (a Halfeld). Sendo assim, considerá-la como centro é impróprio e, cada vez mais, o sentido de tal afirmação vai se perdendo no mapa e nas consciências.

É exatamente sobre estas questões que Stuart Hall desenvolve longas observações sobre a crise de identidade cultural na pós-modernidade. Afirma ele: “Se sentimos que temos uma identidade unificada desde o nascimento até a morte é apenas porque construímos uma cômoda estória sobre nós mesmos ou uma confortadora ‘narrativa do eu’” (Hall 2005, p.13). Em outro lugar da obra ele sugere que a identidade é uma “celebração móvel” que não se unifica ao redor de um “eu” coerente, mas que se pluraliza no interior desse eu e se digladia com outras que, exatamente por isso, são contraditórias e conflitantes. “Moço, onde é o centro da cidade?”

Um comentário:

Anônimo disse...

ZE' ANONIMO CLAUDIO

ZE' DAS COUVES, NASCEU EM JUIZ DE FORA.
UM DIA OUVIR A EXPRESSAO - MANCHESTER MINEIRA

O ZE' PENSOU:
-DIACHO DE TREM E' ESSE UAI

ESSA QUESTAO DO CENTRO, PODE TER VARIAS FACETAS. MAS A SOCIO-POLITICA E' INTRIGANTE.

JUIZ DE FORA E' UMA CIDADE DE CONTRASTES EXTREMOS

NAO E' UM PARAISO COMO MUITOS DEFENDEM. QUEM CONHECE OS LUGARES DE MAIOR PENURIA SABE QUE EXISTE UMA BOMBA RELOGIO A EXPLODIR

AO INVES DE ALGUEM PERGUNTAR ONDE E' O CENTRO DA CIDADE

PODERA' DIZER:
-AI, PERDEU OTARIO, OU
-RUMBORA, RUMBORA. PASSA O RELOGIO AI' TIO.

A CULPA E' DAQUELES QUE COMO EU, NAO FAZEM NADA DE CONCRETO PARA MUDAR ESSE CENARIO DE DESIGUALDADE DE OPORTUNIDADES.

E PENSAR QUE O INDIVIDUO QUE NAO CONHECE O CENTRO DE JUIZ DE FORA, TALVEZ CONTRIBUA COM A IGREJA DO PASTOR OU DO PADRE.


E' ZE' A CASA CAIU.
MANCHESTER MINEIRA E' UMA AGENCIA DE CARROS QUE FALIU.

MELHOR VENDER COUVES, POIS ELAS ESTIMULAM O INTESTINO DE JUIZ DE FORA, PARA QUE TALVEZ UM DIA, DEFEQUE A HIPOCRISIA E O EGOISMO.