terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Vi e ouvi na Palestina - Parte III


(Leia a parte II aqui!)

Israel controla militarmente a quase totalidade das águas da região. Quando diminuem as águas, os palestinos e jordanianos são os primeiros a passarem sede, pois Israel fecha a “torneira” para eles (Algo equivalente também se faz no Brasil: água vira mercadoria, onde grandes empresas consomem um exagero de água para produzir mercadorias e deixam os pobres na beira do rio São Francisco sem água, favelas sem água, enquanto condomínios fechados esbanjam água.). A água não está sendo distribuída equitativamente para todos. Israel permite acesso à água somente para o abastecimento urbano nas cidades palestinas. Mais da metade da agricultura de Israel é irrigada, mas os palestinos são proibidos de irrigar suas lavouras, algo semelhante à transposição do Velho Chico para beneficiar hidronegócio de grandes empresas, enquanto o povo do semi-árido continua sem água.

A presença marcante das práticas religiosas está por toda parte. Na Jerusalém Antiga, às 4 horas da manhã, os muçulmanos começam a rezar na grande Mesquita de Omar, construída no lugar do Templo judeu. No alto da Mesquita, os alto-falantes (em todas as mesquitas deles os alto-falantes estão presentes) fazem ecoar para toda a Jerusalém antiga a oração dos muçulmanos. Cinco vezes por dia pode-se escutá-los rezando. A apenas poucos metros, no muro das lamentações, ao lado do ex-templo, os judeus mais conservadores rezam “inclinando a cabeça rumo ao muro”.

Vimos na Samaria, região central da Palestina, perto do monte Garizim, um grupo de crianças palestinas apedrejando o automóvel de um israelense, que apontou um revólver para as mesmas crianças. Dá para imaginar o ódio que existe de parte a parte. Praticamente todas as famílias palestinas já tiveram algum parente assassinado pelo exército de Israel.

Em 1.998, chegaram a Israel cerca de 63 mil judeus, vindos principalmente da ex-União Soviética, país que tinha acolhida uma grande multidão de judeus. Mas enquanto os judeus importam judeus da diáspora de todo o mundo, com o patrocínio econômico dos judeus dos EUA, os palestinos se multiplicam somente pelo processo reprodutivo natural. A Jerusalém antiga está cheia de muçulmanas, quase todas com uma criança nos braços, outra no ventre e 3, 4, 5 ou 6 ao redor da saia. Entre os muçulmanos existe a poligamia. Todavia, na prática, é coisa de ricos, porque cada mulher tem que ter uma casa, conforme determina a lei.

Dizem que corre entre os palestinos a seguinte afirmação: “Nós venceremos os judeus na cama, não com armas”. O povo palestino é empobrecido, assim como o povo negro brasileiro. São muito simpáticos e acolhedores. Existem diversos campos de refugiados palestinos. Uma mulher cristã de Belém desabafou conosco: “Os peregrinos-turistas vêm aqui preocupados em ver pedras mortas (ruínas antigas), mas não se lembram das pedras vivas que somos nós cristãos, minorias na terra de Jesus, e que estamos no meio de um fogo cruzado entre judeus e palestinos”.

Continua

Um comentário:

Bala Salgada disse...

Muito triste a guerra.

Bem vindo ao barco, estou te linkando em alguns segundos.

Beijos e sucesso!