segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Vi e ouvi na Palestina - Parte II

(Leia a primeira parte aqui!)

Em Israel, o serviço militar é obrigatório: três anos para os rapazes e dois anos para as moças. Israel tem um poderosíssimo exército. Por exemplo, em Hebrom, onde a quase totalidade da população é palestina, em março de 2000, ainda viviam dois mil judeus. Estavam lá 500 soldados para dar “segurança” a esses judeus: um soldado para cada quatro judeus. Vi diversas pessoas judias andando em Jerusalém (e no caminho para Jericó) com um ou dois soldados com metralhadora nas mãos fazendo sua escolta. Cada família hebraica que vive em território palestinense tem direito à escolta de dois soldados judeus com metralhadora nas mãos, 24 horas por dia. Em Hebrom pudemos sentir a grande tensão que existe entre palestinos e israelenses.

No estado de Israel há barreiras e mais barreiras do exército e carros armados por toda parte. Tivemos que passar no detector de metais diversas vezes, sobretudo quando tentamos entrar na mesquita de Omar, no muro das lamentações e no túmulo dos patriarcas em Hebrom. Um dos meus colegas não pôde entrar com um binóculo para ver melhor à distância. Por ser parecido com palestino, fui vistoriado diversas vezes por soldados do exército de Israel.

No norte da Palestina, acima do lago da Galileia, nas Colinas de Golã (território que Israel tomou à força da Síria), divisa com Líbano e Síria, vimos de perto como o exército israelense está armado até os dentes. Vimos três acampamentos do exército, cada um com mais de 30 tanques de guerra e caminhões lotados de armas.

Nas Colinas de Golã, ao lado do asfalto, há cercas de arame dos dois lados com placas penduradas de 15 em 15 metros dizendo: “Atenção, perigo! Terreno minado!” Nas Colinas de Golã estão fontes de águas de Israel-Palestina e as terras são muito férteis. É no Golã que estavam as “vacas de Basã” (cf. Am 4,1-4), pois lá era (e continua sendo) um grande celeiro agrícola. A degradação ambiental está secando fontes de águas do Rio Jordão e consequentemente o lago da Galileia. O “Mar” Morto está baixando muito suas águas. Logo, como sem água não se pode viver, pois é imprescindível para a agricultura, para os animais e principalmente para os seres humanos, o controle das fontes das águas tornou-se questão de Segurança Nacional para Israel.

Continua

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