terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Vi e ouvi na Palestina - Última Parte



(Leia a postagem anterior aqui!)

Uma das características de Israel-Palestina: as cidades e/ou bairros dos judeus são ricos, com grande segurança militar, cerca de arame farpado, enquanto as cidades e/ou bairros palestinos são pobres e com pouquíssima segurança militar. Os poucos soldados palestinos que vimos estavam muito mal armados.

No dia 22 de março de 2000, o Papa João Paulo II celebrou uma missa em Belém, na Palestina. Foi uma missa bonita. Os palestinos gostaram. O Papa disse: "O mundo não pode mais ignorar o sofrimento do povo palestino!" O Papa exortou judeus e palestinos a encontrarem um caminho de paz, justiça e convivência respeitosa.

Em quase todas as cidades da Israel-Palestina existe uma cidade nova ao lado das ruínas de uma cidade antiga. Na parte nova de Jerusalém, cidade de Primeiro Mundo, onde está a sede do Parlamento de Israel e a sede do Governo, os judeus construíram um grande museu chamado Yad Vashem, como memorial do Holocausto da Segunda Grande Guerra. Lá plantaram 18 mil árvores com o nome de 18 mil pessoas que salvaram judeus dos campos de concentração nazistas. Lá estão também, dentro de uma grande sala, três velas acesas que, com ajuda de espelhos refletores, se multiplicam em 1.500.000 velas-estrelas. Ao entrar nesta sala se tem a impressão de estar no meio de uma noite escura com o céu estrelado. Cada “estrela” recorda uma das 1.500.000 crianças judias assassinadas nos campos de concentração de Hitler. Impressionante é escutar uma voz que vai dizendo o nome de todas as crianças judias vítimas do nazismo e ao sair da sala encontrarmos diversas fotografias das crianças martirizadas. É muito comovente, mas imediatamente uma voz dentro de mim me dizia, quando ali estive: “O mais dramático e grave é que o holocausto não é somente uma questão do passado, pois 2/3 da humanidade continua sendo assassinada antes do tempo pelo mundo afora”. Pior, Israel, após a Segunda Grande Guerra, já matou mais palestinos do que o número de judeus vítimas do nazismo!

Enfim, o que acontece agora em Israel-Palestina não é uma guerra, pois esta implica a existência de dois exércitos se confrontando. O que há agora lá é um poderosíssimo exército de Israel armado com armas de última geração, massacrando o povo palestino. De um lado mais de 1000 palestinos mortos (centenas de crianças e mulheres), de outro apenas 15 baixas entre os soldados judeus! Esses números revelam a crueldade do Governo de Israel, financiado pelos Estados Unidos e pelos imperialistas do mundo inteiro.

É Claro que não podemos condenar todo e qualquer judeu como responsável pela matança de palestinos, algo que ocorre há dezenas de anos. O Governo e a classe dominante de Israel são os maiores responsáveis. Urge construirmos um mundo de justiça e paz. Judeus e palestinos, pessoas de bem de todas as partes do mundo, todos nós, estamos convocados a ouvir o clamor dos oprimidos e recriar o mundo com instituições éticas e com relações humanas ecumênicas e inclusivas.

Texto gentilmente cedido por Frei Gilvander Moreira
www.gilvander.org.br

Belo Horizonte, 18/01/2009

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