domingo, 26 de outubro de 2008

Vida de Jesus: Cruz e Ressurreição – Parte II

por Ronildson de Aquino
Estudante de Teologia

A morte de Jesus na cruz nos envolve ainda diante de uma realidade carregada de mistérios. Por mais que questionemos parece inesgotável a resposta. Porém, a cruz nos permite encontrar um sentido que nos atinge, pois todos nós sofremos, nos deparamos com nossas debilidades e inclusive com a experiência da morte. Jesus, na encarnação, assumiu toda a nossa condição humana e como homem passa por essas mesmas experiências (cf. Fl 2, 7). Ele é capaz de se compadecer-se e de entender o ser humano na sua mais complexa realidade (cf. Hb 4,15). Um Deus nasceu, chorou, sorriu, sentiu medo, alegria, amor, raiva, solidão, foi tentado, traído, caluniado, sofreu e morreu como humano. Ele sendo “verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem” dá a nossa existência um grande valor. Jesus nos abraça em nossa humanidade e nos eleva sem tirar-nos do que somos.


No entanto, “alguns sinais” da sua glória se fazem notar (cf. Jo 2,11) e de um de modo especial na sua Transfiguração (cf. Mc 9,2-8). Quando Jesus anuncia a sua morte, a Ressurreição sempre aparece como ápice (cf. Mc 8,31; 9,30-32; 10,33-34) a morte não é a última palavra na sua missão. A esperança confiante e alegre também está presente na sua vida.


Ele dá vida nova como, por exemplo, o homem atormentado pelos “maus espíritos”, que depois da ação libertadora de Jesus, estava “vestido em seu perfeito juízo”, com vida nova! (cf. Lc 8,26-39; Mc 5,1-20). Esta passagem ajuda-nos a compreender que Jesus veio realmente para que o homem tenha “vida em plenitude” e é justamente por isso que ele “dá sua vida” (cf. Jo 10,10-11). Podemos dizer que em toda vida de Jesus o sentido da cruz e da ressurreição está sempre presente, o jeito de como ele abraça a vida é tão “diferente” que consegue atrair as pessoas e coloca a cruz como condição de quem quer segui-lo (cf. Mt 16,24).


Por fim, a ressurreição se dá pelo acontecimento da cruz, não há como falar da ressurreição de Jesus sem a cruz! Os apóstolos anunciam Jesus Crucificado e Ressuscitado (cf. At 2,23-24). A pregação dos apóstolos deve iluminar a nossa, pois anunciar Jesus sem a cruz vai contra a nossa condição humana e não pregar a sua ressurreição é uma pregação vã, sem sentido (cf. I Cor 15, 13,14) que nos faz ver a cruz como masoquismo, longe de ser uma linguagem profunda de amor, “pois Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho único... para que o mundo seja salvo por ele” (Jo 3,16-17).

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