quarta-feira, 6 de agosto de 2008

A Metáfora como Chave de Leitura – Parte I

Algumas Constatações


Muito, hoje, entre os jovens, se lê em função dos vestibulares e não em razão do conhecimento mais adequado e profundo da literatura brasileira. Os cursinhos dão “dicas”de leitura e não raro apontam apenas receitas para as provas. A tal ponto de superficialidade chegamos que alastram na internet e em CDs resumos sem conta visando o bom êxito nas provas de ingresso nas diferentes faculdades. Observamos, contudo, o quanto isso tem de prático – e com prático queremos dizer do descartável – e o quanto tem de superficial na abordagem de obras de nossa literatura brasileira.

É fora de dúvida que convém tratar esta questão com esmerada cautela. Não se pode desconsiderar uma série de fatores que contribuem direta e indiretamente para que tenhamos, atualmente, um tal quadro negativo no que concerne à abordagem da literatura nas escolas. Mesmo assim, entendemos que mapear os fatores é um trabalho demasiado amplo para os limites deste artigo e, por isso, indicamos somente alguns icebergs que consideramos mais à vista neste mar agitado do ensino da literatura:

- boa dose de despreparo do corpo docente na apresentação das obras;

- não raro o pouco incentivo e até descaso das instituições de ensino na promoção do ensino de literatura;

- o claro preconceito que muitas vezes relega a literatura ao segundo plano em favor de outras disciplinas;

- a própria dificuldade dos alunos numa leitura mais treinada ao segundo nível;

- uma dificuldade de aproximação do cotidiano com o texto literário gerando distância e um aparente anacronismo da obra;

- o esquecimento ou desconsideração e que a linguagem funciona a partir de uma gama de conhecimento que se tem do mundo.


Todos estes elementos precisam ser levados em conta ao se tratar do ensino da literatura na sala de aula. Eles nos revelam a dimensão do problema que tem em mãos quem se propõe adentrar esses caminhos fascinantes e tortuosos do mundo literário.


Não podemos, contudo, entender que é só de dificuldades que esta área do conhecimento vive. O contrário também é verdadeiro. Muitas instituições têm trabalhado seriamente no preparo dos alunos para uma leitura mais proveitosa. Uma leitura que não tira o prazer e nem se torna insípida, mas que desperta o gosto e a alegria de se saborear uma obra literária.


Com o propósito não só de levantar os desafios, passamos a apontar uma forma de leitura que consideramos possível com chave de leitura do texto literário[1]. Uma leitura que incida no cotidiano e que possa tirar dele instrumentos importantes para que seja mais profícua. Não nos iludimos, porém, imaginando algo com certo grau de originalidade, mesmo assim queremos contribuir para um propósito verdadeiramente interessante.



[1] Pensamos que este trabalho pode ser endereçado a alunos do Ensino Médio.

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